A Marcopolo, fabricante de carrocerias de ônibus, está apostando em crescimento das vendas para países da América Latina como forma de mitigar a desaceleração prevista no mercado interno brasileiro. A estratégia foi detalhada em entrevista à Reuters pelo presidente-executivo da companhia, André Armaganijan, em Caxias do Sul, em 27 de março.

Armaganijan afirmou que a Argentina foi um dos principais destinos das exportações em 2025 e que, em 2026, a empresa começou a identificar novos mercados atraentes na região, citando Peru, Bolívia e Paraguai como exemplos. No ano passado, as operações internacionais — que incluem exportações realizadas a partir do Brasil e vendas feitas no exterior — responderam por 45,4% da receita líquida total da Marcopolo, ante 36,3% em 2024.

Os resultados financeiros mostram avanço das receitas externas: as exportações originadas no Brasil subiram 31%, para R$ 1,1 bilhão, enquanto a receita proveniente de unidades fabricadas fora do país cresceu 32%, alcançando quase R$ 3 bilhões. A empresa vê essa diversificação como um mecanismo para dar flexibilidade ao grupo, permitindo que ganhos em determinados mercados compensem eventuais quedas em outros.

Modelo de atuação e mercados

Segundo o diretor de operações internacionais e comerciais, José Góes, a Marcopolo opera no exterior em três formatos: venda do ônibus completamente montado, parcialmente montado ou desmontado para ser finalizado localmente. Essas modalidades oferecem flexibilidade operacional e fiscal, possibilitando entrada em mercados com baixo investimento inicial e posterior avaliação de parcerias locais.

Góes informou que, na América Latina, praticamente todos os ônibus exportados saem das três fábricas brasileiras e que, em 2025, mais de 2 mil veículos foram exportados dessas unidades. Para Chile e Peru, todos os ônibus vendidos foram entregues completos; na Argentina, a proporção foi de 70% completos e 30% parcialmente montados.

Planos para a Europa e plataformas globais

A Marcopolo também avança em iniciativas na Europa, onde está em processo de homologação de produto e firmou parceria com a Volvo. O projeto europeu deve iniciar com ônibus completos vindos do Brasil, evoluindo para um modelo em que parte do veículo será montada em diferentes locais e, futuramente, com um parceiro local para finalizar a montagem. Portugal, Espanha, Itália e França estão no foco inicial.

Imagem: Ap

O grupo tem desenvolvido plataformas globais que permitem produzir os mesmos modelos em suas 11 fábricas situadas em sete países, o que facilita exportações alternativas, por exemplo, do Brasil ou do México, conforme a necessidade.

Perspectiva para o mercado brasileiro

Armaganijan relacionou a perspectiva de desempenho modesto do mercado de carrocerias no Brasil ao prolongado período de juros elevados, que adia a renovação de frotas. Ainda assim, programas federais podem apoiar as vendas locais: há resquícios do programa Caminho da Escola com entrega pendente de 700 a 800 veículos, e a empresa está produzindo 1.500 veículos para um programa do Ministério da Saúde.

O executivo acrescentou que o Ministério da Saúde prepara um novo edital estimado em cerca de 7.500 micro-ônibus para transporte de pacientes, e que historicamente a Marcopolo vence cerca de 50% dos editais.

Em 2025, a receita líquida da Marcopolo no Brasil caiu quase 10%, para R$ 4,95 bilhões, e a produção atingiu 10.861 unidades, queda de 8,3% em relação a 2024.

Com informações de Infomoney