Cientistas identificaram material genético de Pinot Noir em sementes preservadas na latrina de um hospital medieval em Dijon, na França, indicando que a variedade já existia há cerca de 600 anos e mantém a mesma identidade genética das videiras atuais.
O que foi encontrado e onde
Durante escavações no antigo hospital medieval de Dijon, arqueólogos recuperaram sementes de uva em condições de preservação incomuns. O material orgânico, mantido em ambiente úmido e possivelmente anaeróbico, conservou DNA suficiente para análises genéticas detalhadas.
Quem conduziu a pesquisa e como
Pesquisadores responsáveis pelo estudo, publicado na revista Nature Communications, compararam o sequenciamento genômico das sementes medievais com amostras de vinhedos contemporâneos da região. Os testes focaram em marcadores genéticos que permitem distinguir variedades de videira e reduziram o risco de contaminação externa.
Resultados principais
Os resultados mostram que a genética das sementes atribuídas à Pinot Noir é idêntica à das plantas cultivadas hoje, caracterizando a preservação total do genótipo. Segundo os autores, isso indica que a Pinot Noir encontrada no século XV é um clone perfeito das videiras atuais.
Como isso foi possível historicamente
O estudo aponta que a técnica de propagação por estacas permitiu a manutenção das características originais da variedade ao longo dos séculos. Fontes históricas e os próprios resultados genéticos sustentam a hipótese de que monges e produtores locais mantiveram práticas de cultivo que preservaram o genótipo da uva.
Outras descobertas e implicações
Além da Pinot Noir, as escavações identificaram outras variedades, mas nenhuma com o mesmo grau de correspondência genética à atualidade. Os autores destacam a utilidade do banco de dados genético global de uvas para cruzamentos imediatos entre material antigo e clones modernos, além do papel da arqueologia botânica associada à biologia molecular.
Imagem: Divulgação
Os pesquisadores também observam que a preservação do genótipo significa que aspectos sensoriais clássicos atribuídos à Pinot Noir, como notas de frutas vermelhas e acidez equilibrada, provavelmente se mantêm ao longo do tempo, apesar de alterações climáticas.
O estudo reforça a importância histórica da região de Dijon e da Borgonha na viticultura europeia e demonstra a capacidade das técnicas modernas de DNA para recuperar informações sobre cultivares medievais.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6