Indicado ao Grammy Latino 2025, na categoria Melhor Interpretação Urbana em Língua Portuguesa, o funkeiro MC Hariel, 27 anos, vive um momento histórico em sua carreira. Ele disputa o prêmio com a faixa “A Dança (Ao Vivo)”, colaboração com Gilberto Gil, que marca sua estreia em uma das maiores premiações da música latina.
“Eu já havia declarado que sonhava em ser indicado e, talvez, até mesmo ganhar. Uma parte desse sonho já está realizada”, disse à CNN.

A força do funk no Grammy
Para Hariel, a conquista vai além do mérito individual: “A importância para o funk é a quebra de preconceitos. É mostrar que nossa arte também tem valor, que nossa cultura pode ocupar espaços onde quase nunca esteve.”
A parceria com Gilberto Gil nasceu de forma despretensiosa, após um encontro durante uma entrevista. O contato inicial levou a uma troca entre equipes até que o convite para a gravação se consolidasse. O resultado foi uma faixa que une o funk às raízes da MPB, em um diálogo entre gerações.
“Cantar com o Gilberto Gil é mais que uma conquista profissional. É aprendizado, troca de experiências e inspiração. Hoje mesmo liguei para agradecer. A obra dele dispensa apresentações, mas conhecer a pessoa por trás do artista foi transformador”, contou Hariel.
Representatividade e futuro da cena
O funkeiro acredita que sua presença — ao lado de outros representantes do gênero — no Grammy Latino abre portas para toda a cena.
“Não é só sobre mim. Com essa indicação, mostramos nossa realidade e incentivamos outros a sonhar com o mesmo. Muitos nem sabem o que é um Grammy. Agora, vão passar a respeitar, porque estamos lá.”
Questionado sobre o que diria ao garoto que foi um dia, Hariel foi direto: “Diria para fazer tudo do jeito que tem que ser feito. No final, você vai se orgulhar. Não mude nada, siga o coração e faça o que vale a pena.”
MC Tuto também é indicado com “Barbie”
Além de “A Dança”, a faixa “Barbie”, de MC Tuto, também disputa na mesma categoria. Criada em uma roda de rima entre amigos, a música ganhou força justamente pela espontaneidade.
“Foi algo natural, de coração. Coloquei minha vontade de vencer e mostrar meu talento, mas nunca imaginei que chegaria tão longe”, afirmou.
Para o artista, de origem periférica, a indicação tem um peso coletivo: “Essa felicidade não é só minha. É da minha família, da minha equipe e de todos que sonham junto comigo. Estar ao lado do Hariel nesse momento é uma honra e uma vitória para o funk.”

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6