Pesquisadores identificaram que bovinos tendem a posicionar o corpo alinhado ao eixo norte-sul magnético da Terra ao repousar ou pastar em campo aberto. A conclusão foi obtida a partir da análise de imagens de satélite, que permitiu observar padrões de orientação do gado em escala global.

O que foi observado

Segundo um estudo divulgado pela revista Nature, milhares de animais foram avaliados em centenas de pastagens para mapear o posicionamento corporal. Foram examinadas 8.510 cabeças de gado em 308 pastagens usando imagens do Google Earth, e os resultados indicaram preferência por um alinhamento magnético ao norte ou ao sul, independentemente das condições climáticas locais.

Onde e como foi feito o levantamento

As ferramentas de geolocalização possibilitaram a análise simultânea de animais em seis continentes, eliminando variáveis regionais e revelando um padrão estatístico que não era perceptível a partir do nível do solo. A mesma técnica também foi aplicada a 2.974 cervos selvagens na República Tcheca, onde observou-se comportamento semelhante.

Fatores testados e conclusões

Os pesquisadores verificaram que a direção predominante do vento e a posição do sol não explicam o alinhamento observado: os animais mantinham a orientação norte-sul mesmo em sombras ou em diferentes condições meteorológicas. A experiência diferenciou o norte geográfico do norte magnético e apontou que o alinhamento está relacionado ao campo magnético terrestre.

Interferência humana

O estudo também detectou que linhas de transmissão elétrica de alta tensão perturbam esse comportamento. Sob cabos de alta tensão, o gado perdeu o padrão de alinhamento e passou a apontar em direções aleatórias, o que sugere que campos eletromagnéticos artificiais interferem na percepção magnética dos animais.

Imagem: Divulgação

Implicações e próximos passos

Os autores propõem que grandes mamíferos possuam receptores internos capazes de detectar o magnetismo terrestre, funcionando como uma espécie de bússola biológica. Pesquisas futuras foram indicadas para avaliar se a perda desse alinhamento, por exemplo devido a interferência humana, pode afetar bem-estar, estresse ou produtividade do rebanho.

A descoberta decorre da aplicação de uma visão macroscópica oferecida por imagens de satélite, que revelou um comportamento sutil e difundido entre ruminantes que passou despercebido em observações isoladas no solo.

Com informações de Olhardigital