Rio de Janeiro – Na noite de 7 de janeiro de 2026, quando Luiz Melodia completaria 75 anos, a atriz e cantora Simone Mazzer subiu ao palco do clube Manouche, na capital fluminense, para revisitar o repertório do compositor em “Melodia com Mazzer”. A apresentação, marcada pela interpretação eletrizante de “Negro gato”, reuniu 19 músicas gravadas ou compostas pelo artista carioca.
Mazzer foi acompanhada pelo violonista Renato Piau – parceiro histórico de Melodia e responsável por arranjos que trouxeram sonoridade mais encorpada ao violão – e pelo baixista Paulo Emmery. O trio conduziu um roteiro que mesclou sucessos e faixas menos conhecidas, mantendo a plateia atenta até o final.
Repertório aquecido pelo violão de Piau
O samba “Estácio Holly, Estácio” abriu a noite em ritmo moderado, contrastando com o clima crescente das canções seguintes. À medida que o show avançava, o violão de Piau ganhou destaque, soando como guitarra e intensificando faixas como “Estácio, eu e você”, na qual Emmery emendou um solo de suingue.
Nem todas as leituras soaram à altura do original. Mazzer deixou escapar a veia bluesy de “Pérola negra” e imprimiu tom de manifesto a “Ébano”. Em contrapartida, alcançou bons momentos em “Dores de amores”, fez “Magrelinha” resplandecer e atualizou a letra de “Juventude transviada” para suprimir elementos machistas dos anos 1970.
Participações e bastidores
Renato Piau dividiu vocais em “Presente cotidiano” e apresentou parcerias com Melodia, como “Cara a cara”, “Cuidando de você” e “Esse filme eu já vi”. Entre histórias de estrada, contou o episódio em que Melodia apanhou para extrair a emoção exigida pelo produtor Guto Graça Mello durante a gravação de “Codinome beija-flor” em 1991. A balada, composta por Reinaldo Arias, Cazuza e Ezequiel Neves, foi interpretada por Mazzer com pegada lírica.
O cantor Thiago Sacramento subiu ao palco em “Sorri pra Bahia”, joia pouco conhecida assinada por Edil Pacheco, Melodia e Cardan Dantas, conferindo novo brilho à canção antes de Mazzer retomar o comando em “Esse filme eu já vi”.
Imagem: Rodrigo Goffredo
Clímax com “Negro gato”
O ponto alto chegou no desfecho. Sob arranjo em tom maior concebido por Piau, “Negro gato” – composição de Getúlio Côrtes lançada em 1965 por Renato e Seus Blue Caps, popularizada por Roberto Carlos no ano seguinte e eternizada por Melodia no álbum “Nós” (1980) – reverberou em interpretação arrebatadora de Mazzer, encerrando o espetáculo em clima de euforia.
Roteiro completo
1. Estácio Holly, Estácio (1972)
2. Pérola negra (1971)
3. Ébano (1975)
4. Dores de amores (1978)
5. Presente cotidiano (1973)
6. Cuidando de você (1999)
7. Decisão (1987)
8. Codinome beija-flor (1985)
9. Magrelinha (1973)
10. Fadas (1978)
11. Juventude transviada (1975)
12. Estácio, eu e você (1973)
13. Mistério da raça (1980)
14. Sorri pra Bahia (1983)
15. Esse filme eu já vi (1999)
16. Diz que fui por aí (1964)
17. Cara a cara (1991)
18. Congênito (1975)
19. Negro gato (1965)
Planejado pela produtora Carol Rosman, “Melodia com Mazzer” ainda pode ganhar novos ajustes em futuras exibições, mas já reúne material suficiente para homenagear o legado de Luiz Melodia e destacar a versatilidade vocal de Simone Mazzer.
Com informações de G1

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6