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Estruturas de antigas localidades inundadas no fundo do Lago de Furnas, no Sul de Minas Gerais, têm sido registradas por equipes de mergulho que exploram áreas preservadas a dezenas de metros de profundidade. Restos de construções e objetos do cotidiano emergem nas imagens e no mapeamento desenvolvido pelos mergulhadores.
O instrutor Roberto Obvioslo, que acompanha o lago desde a infância — quando esteve envolvido com obras da usina — lidera as expedições há cerca de dez anos. A partir de relatos de moradores antigos, a equipe passou a localizar pontos de interesse e a registrar estruturas submersas na região de São José da Barra (MG).
Entre as primeiras estruturas encontradas estavam um curral e ruínas isoladas. Com o avanço das buscas, os mergulhadores identificaram uma rua inteira preservada sob a água, além de casas com parte dos telhados intactos, pisos, um fogão a lenha e outras edificações praticamente inteiras.
O trabalho de campo prioriza a conservação do patrimônio: os vestígios são documentados fotograficamente e, em regra, não são removidos do fundo do reservatório. Uma exceção contempla itens destinados a um futuro museu local; entre os poucos objetos já recuperados está um penico, tratado para conter corrosão, e há planos de exibir também uma telha, um tijolo e um pedaço de madeira como símbolos da antiga Barra.
Mergulhos em grandes profundidades
As incursões exigem técnica avançada: os mergulhos chegam a atingir até 80 metros de profundidade, com possibilidade de quase 90 metros em condições específicas. Conforme apontado pelos profissionais, não há pontos rasos na área estudada — o segmento mais raso costuma ficar em torno de 40 metros. A visibilidade cai acentuadamente a partir dos 15 metros, tornando imprescindível o uso de lanternas.
A fauna muda conforme a profundidade: espécies como mandi, tilápia, tucunaré e traíra aparecem em níveis mais altos do lago e praticamente desaparecem nas camadas mais profundas. Em períodos de seca extrema, partes das áreas alagadas já chegaram a emergir, inclusive revelando um antigo cemitério, que posteriormente foi removido pela prefeitura.
Além de construções e objetos domésticos, as equipes encontraram outros vestígios submersos, entre eles uma ponte preservada, localizada acidentalmente durante buscas por um veículo submerso, bem como uma escuna naufragada, uma Kombi e um ônibus.
Imagem: Divulgação
Memórias da inundação
A criação do Lago de Furnas em 1963, após a construção da usina, marcou profundamente comunidades locais. O aposentado Abrão Alves Andrade, de 86 anos, lembra que foi orientado pelo pai a avisar vizinhos sobre a chegada das águas, mas que inicialmente muitos não acreditaram. O padre José Ronaldo Rocha, então com 12 anos e morador de Guapé (MG), recorda a retirada das famílias e o uso de escolas como abrigo.
Relatos locais descrevem demolições de construções com tratores e cabos de aço antes da inundação total e perda imediata de terras agrícolas e plantações. O morador José Dalton Barbosa, de 77 anos, acrescenta lembranças de animais deixados para trás e da descrença inicial diante das medidas de alagamento, que se tornou mais concreta com a atuação de topógrafos na região.
Com o tempo, moradores apontam mudanças na economia local, como o crescimento do turismo e avanços na agricultura, observando também a recuperação e reconstrução das comunidades afetadas.
As descobertas e registros visuais das estruturas submersas seguem sendo realizados por equipes de mergulho e documentados em fotografias, preservando a memória das áreas que foram alagadas.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6