Um fóssil marinho encontrado em Utah, nos Estados Unidos, e datado de cerca de 500 milhões de anos, está alterando a compreensão científica sobre a origem das aranhas e de outros quelicerados. O espécime apresenta garras em forma de pinça e sinais de especialização predatória que antecipam em pelo menos 20 milhões de anos a aparição de características ligadas a esse grupo animal, segundo estudo publicado na revista Nature.
O que foi encontrado
O material fossilizado exibe apêndices frontais articulados usados para capturar e triturar presas, além de uma carapaça segmentada que favorecia movimentos ágeis no leito marinho. A preservação excepcional permitiu identificar não apenas estruturas externas, mas também vestígios de conexões nervosas que ligam as garras ao sistema nervoso central.
Quando e onde
O fóssil pertence ao período Cambriano, com aproximadamente 500 milhões de anos, e foi recuperado em depósitos geológicos de Utah reconhecidos por conservar tecidos moles — as chamadas Lagerstätten. Essas camadas possibilitam o estudo de nervos, músculos e conteúdos internos raramente preservados em outras localidades.
Principais características
Entre os traços descritos pelos pesquisadores estão apêndices em forma de pinça na região frontal, olhos posicionados que ajudam a identificar sua morfologia e estruturas bucais compatíveis com o grupo Chelicerata. O espécime teria atingido até 30 centímetros, segundo as comparações citadas no estudo, e viveu em habitat marinho profundo, onde a luminosidade era reduzida.
Relação com aranhas e caranguejos-ferradura
Ao comparar a morfologia do fóssil com espécies vivas, os cientistas traçaram um vínculo evolutivo entre esse predador marinho e os quelicerados modernos. A pesquisa indica que um ancestral comum — que já possuía garras semelhantes — deu origem tanto às linhagens que colonizaram ambientes terrestres (como as aranhas) quanto às que permaneceram aquáticas (como os caranguejos-ferradura). Os autores destacam que os caranguejos-ferradura atuam como “fósseis vivos” por manterem esse plano corporal básico ao longo do tempo.
Imagem: Divulgação
Importância para a biologia evolutiva
Os achados obrigam a revisão de cronologias sobre a evolução dos artrópodes e sugerem que a diversificação dos quelicerados ocorreu rapidamente após a explosão cambriana. Os autores do estudo afirmam que a descoberta reforça a ideia de uma corrida armamentista biológica precoce nos oceanos primitivos e motiva novas expedições para localizar parentes ainda mais antigos em camadas geológicas pouco exploradas.
O estudo também ressalta que a janela de preservação encontrada em Utah é crucial para preencher lacunas na árvore da vida e entender transições morfológicas entre invertebrados do passado e os aracnídeos atuais.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6