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Bancos e assessores são pressionados a contratar chatbot de Musk antes do IPO da SpaceX

Elon Musk exigiu que os bancos, escritórios de advocacia, auditorias e outros consultores envolvidos no processo de oferta pública inicial (IPO) da SpaceX assinassem o Grok, seu chatbot de inteligência artificial, segundo pessoas familiarizadas com as negociações que falaram em condição de anonimato.

Fontes dizem que alguns dos principais bancos concordaram em gastar dezenas de milhões de dólares com assinaturas do Grok e já começaram a integrar a ferramenta aos seus sistemas internos de TI. Musk e um porta-voz da SpaceX não responderam aos pedidos de comentário.

A movimentação ocorre enquanto Wall Street se prepara para uma operação estimada em mais de US$ 50 bilhões, com a SpaceX avaliada acima de US$ 1 trilhão. Nessa escala, os bancos participantes poderiam receber mais de US$ 500 milhões em taxas de assessoria.

Segundo três das fontes consultadas, a compra de assinaturas do Grok não foi apenas um gesto de cortesia: Musk teria sido insistente para que os bancos contratem o serviço. Ele também solicitou que as instituições anunciassem na X, rede social controlada por Musk que ficou sob o guarda-chuva da SpaceX após a fusão com a xAI em fevereiro, mas essa segunda exigência foi colocada com menos firmeza, de acordo com duas das fontes.

Por enquanto, cinco bancos devem integrar a oferta: Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Morgan Stanley. Os escritórios de advocacia Gibson Dunn e Davis Polk estão entre os assessores jurídicos da transação.

O Grok enfrenta concorrência de ferramentas como o ChatGPT, da OpenAI, o Claude e o Gemini, do Google. Musk promove o chatbot como uma alternativa menos alinhada ao que chama de “politicamente correto”. Nos últimos meses, entretanto, o Grok esteve envolvido em polêmicas após gerar conteúdo antissemita, elogios a Adolf Hitler e imagens sexualizadas de mulheres e meninas sem consentimento. Países como Indonésia e Malásia baniram o serviço, e outros países abriram investigações relacionadas à disseminação desse tipo de material.

Imagem: Divulgação

Apesar das controvérsias, Musk tem incentivado usuários a testar o Grok e, segundo relatos, chegou a publicar 18 postagens sobre a ferramenta em um único dia em sua conta na X. Atualmente, a receita do Grok provém principalmente de assinaturas de usuários finais, e as contratações pelos bancos devem impulsionar a frente corporativa do negócio de IA.

Em relatório financeiro anterior à fusão com a SpaceX, a xAI informou cerca de US$ 1 bilhão em receita com suas operações de inteligência artificial, segundo uma pessoa com acesso aos números. A Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, é apontada por fontes como geradora de bilhões em fluxo de caixa livre; documentos citados pelo The New York Times indicam que a Starlink teve aproximadamente US$ 8 bilhões em receita em 2024.

Nos últimos meses, banqueiros têm visitado os escritórios da SpaceX na região de Los Angeles para colaborar na elaboração do prospecto do IPO. A SpaceX protocolou esta semana, de forma confidencial, a papelada do processo na Securities and Exchange Commission (SEC) e deixou de fora do documento os nomes dos bancos que participam, segundo uma das fontes.

A negociação e as exigências de Musk refletem o peso do fundador nas tratativas em torno de um dos maiores IPOs previstos para os próximos anos.

Com informações de Infomoney