Lead: Com o desemprego entre 16% dos jovens de 16 a 24 anos, as Forças Armadas do Reino Unido registram aumento significativo de candidaturas, e o governo intensifica iniciativas para transformar essa procura em resposta à escassez de pessoal militar.

Quem, o que e onde

Jovens britânicos estão se alistando em número crescente nas Forças Armadas do país. As inscrições para a Marinha Real e a Força Aérea alcançaram o nível mais alto em mais de cinco anos, enquanto as candidaturas ao Exército também subiram nos últimos anos. O fenômeno ocorre em todo o Reino Unido, com ações de recrutamento concentradas em regiões com desemprego juvenil elevado.

Quando e por que

O movimento se intensificou após a pandemia de Covid-19, quando vagas de nível inicial se tornaram mais escassas. A retração nas contratações por empresas, o aumento do salário mínimo e encargos trabalhistas, além da automação por inteligência artificial, reduziram oportunidades para formados recentes. Como consequência, quase 1 milhão de jovens britânicos estão fora do mercado de trabalho ou do sistema educacional.

Como o governo reage

Autoridades do Ministério da Defesa têm promovido oportunidades militares em centros de emprego e lançaram programas-piloto, como na região de West Midlands — onde 9,6% dos jovens de 18 a 24 anos recebem benefícios relacionados ao desemprego. Foi criado também um programa de “ano sabático” para oferecer experiência e treinamento a menores de 25 anos, além de campanhas publicitárias, planos para simplificar o processo de inscrição e reformas em alojamentos militares. O ministério costuma destacar ainda o reajuste salarial acima da inflação concedido às Forças Armadas no ano anterior.

TRANSMISSÃO: do também marcou a primeira vez desde 2021 em que o número de in

Impacto nas Forças Armadas

O Exército, que tinha mais de 110 mil efetivos regulares em 1997, conta hoje com pouco mais de 70 mil — o menor contingente desde a era napoleônica. O governo anunciou intenção de elevar o efetivo regular em cerca de 3 mil, para 76 mil no próximo mandato parlamentar, número ainda inferior aos 78 mil soldados regulares registrados em janeiro de 2023. A Marinha e a Força Aérea também registraram leve queda desde então.

Dados e avaliações

As estatísticas de diversidade das Forças Armadas, referentes ao ano encerrado em outubro, mostram que mais de 26% do efetivo regular tinha menos de 25 anos — dois pontos percentuais acima do nível pré-pandemia — e que quase 75% dos novos oficiais tinham entre 20 e 24 anos, alta de três pontos em relação ao ano anterior. O ano passado marcou a primeira vez desde 2021 em que o número de ingressantes superou o de desligamentos; entre 1999 e 2024 houve saída líquida em todos os anos, exceto seis.

Imagem: Bloomberg

Análises oficiais

Uma revisão de defesa publicada no ano passado atribuiu a “crise de pessoal” a problemas de recrutamento e retenção, alojamentos precários, queda no moral e desafios culturais. O governo também busca ampliar parcerias entre universidades e indústrias de defesa para suprir demandas por competências nas áreas verde e digital.

Em redes sociais, um jovem que se alistou na Marinha afirmou que, após começar a universidade em 2017 e concluir durante a pandemia, as vagas desapareceram e as oportunidades para recém-formados sumiram, levando-o a se inscrever nos Fuzileiros Navais, citando também a possibilidade de viagens e práticas esportivas como fatores decisivos.

As autoridades dizem ver a inserção militar dos jovens como instrumento para enfrentar simultaneamente o desemprego juvenil e a necessidade de reforçar as capacidades das Forças Armadas diante de ameaças e demandas crescentes, como a agressão russa, a presença no Ártico e riscos no Oriente Médio.

Com informações de Investnews