Transmissão: Record

Uma nova etapa da competição tecnológica entre potências foi exibida em um desfile militar em Pequim, em setembro de 2025, quando o presidente chinês Xi Jinping apresentou modelos de drones projetados para operar de forma autônoma ao lado de caças em combates. Na ocasião, Xi estava acompanhado pelos líderes Vladimir Putin, da Rússia, e Kim Jong-un, da Coreia do Norte. A demonstração suscitou preocupação no Pentágono, que busca reduzir uma suposta “lacuna tecnológica” frente à China e à Rússia, segundo reportagens do New York Times.

O que está em jogo

Especialistas e autoridades definem o risco central como a transição do equilíbrio estratégico baseado em arsenais nucleares para um cenário dominado por algoritmos, apelidado por alguns como “Destruição Mútua Automatizada”. A diferença é a velocidade: sistemas autônomos operariam em ritmos que, conforme alertam analistas citados pela imprensa, escapam à capacidade de resposta humana.

Avanço das potências e papel das empresas

A disputa envolve não só governos, mas também um ecossistema privado de defesa. Nos Estados Unidos, a empresa Anduril intensificou a produção de drones autônomos em Ohio e passou a fabricar equipamentos com inteligência artificial em março, numa tentativa de alcançar a capacidade industrial chinesa. Na China, o Estado tem promovido uma aproximação entre setores civil e militar, exigindo envolvimento de empresas privadas em projetos bélicos.

Entre os sistemas chineses destacados estão um drone de cerca de 16 toneladas concebido para lançar dezenas de veículos menores durante o voo e formações de veículos blindados e peças de artilharia comandadas por inteligência artificial. A Rússia, por sua vez, tem adaptado as lições do conflito na Ucrânia: drones Lancet, antes dependentes de piloto, incorporaram funções de rastreamento e ataque autônomo.

Sistemas de apoio à decisão e preocupações

Nos Estados Unidos, o Project Maven — operado pela Palantir e contratado pelo Departamento de Defesa — usa IA para processar imagens de satélite e dados de inteligência em tempo real. Fontes informaram ao New York Times que o sistema tem sido empregado em campanhas no Oriente Médio para gerar alvos rapidamente, reduzindo a intervenção humana a confirmações por clique.

Imagem: Divulgação

Algumas empresas de tecnologia reagiram: a Anthropic, criadora do chatbot Claude, foi classificada pelo Pentágono como um “risco de segurança” após tentativas de restringir o uso de sua tecnologia em sistemas armamentistas automatizados.

Risco de escalada e ausência de normas robustas

Relatórios citados pela imprensa, incluindo estudos da RAND Corporation, simulam cenários nos quais sistemas automatizados respondem a eventos como testes de mísseis com contra-ataques não previstos, gerando escaladas involuntárias. Até agora, não há tratados internacionais amplos que regulem armas autônomas. O único entendimento formal entre EUA e China, firmado em 2024, é um compromisso não vinculativo para manter controles humanos apenas em decisões relativas a armamentos nucleares; para outros sistemas, a tendência observada é acelerar o desenvolvimento.

O desenrolar dessa corrida tecnológica permanece como elemento central nas dinâmicas de segurança global, com estados e empresas reconfigurando capacidades e procedimentos em velocidade crescente.

Com informações de Olhardigital