A SpaceX, empresa de Elon Musk, entrou em uma nova fase com a definição de sua oferta pública inicial de ações sob o código SPCX, movimentação que tende a ampliar sua presença no mercado espacial e preocupou concorrentes listados em Bolsa.
O que é a SpaceX hoje?
Documentos do processo de IPO mostram que, em 2025, a SpaceX faturou US$ 18,6 bilhões e registrou prejuízo de US$ 4,9 bilhões. Ao mesmo tempo, a companhia reportou gastos de capital (capex) de US$ 20,7 bilhões, um sinal de investimentos intensos em infraestrutura e equipamentos. Em atividade operacional, a empresa realizou 165 lançamentos do Falcon 9 no último ano, cifra que representa mais de 50% das missões do setor, impulsionada pela estratégia de reutilização dos foguetes.
Desde 2017, quando um Falcon 9 reutilizado completou com sucesso uma segunda missão, a SpaceX consolidou a técnica de reaproveitamento como vantagem competitiva. A empresa também segue desenvolvendo a nave Starship, cujos testes nem sempre foram bem-sucedidos, mas que, segundo a empresa, poderá transportar cerca de 100 toneladas de carga por missão e até 100 pessoas quando estiver operacional.
Além dos lançamentos, a SpaceX agrupa outras frentes de negócio: a constelação Starlink, que já soma cerca de 10 mil satélites em órbita baixa e gera lucro; a rede social X (ex-Twitter), adquirida em outubro de 2022 e com dificuldades para recuperar receitas publicitárias; a xAI, criadora do chatbot Grok; e o projeto Terafab, uma grande fábrica de chips no Texas voltada ao mercado de inteligência artificial.
Financiamento, valuation e ambições
Para o IPO, a companhia definiu o preço inicial em US$ 135 por ação, o que representa um montante recorde de US$ 75 bilhões a ser levantado na operação. Se confirmado, o valor de mercado da SpaceX pode alcançar US$ 1,75 trilhão. A expectativa é que os recursos ampliem a capacidade de investimento em projetos como a Starship, a expansão da constelação Starlink e iniciativas mais audaciosas, como data centers orbitais.
Especialistas ouvidos no material destacam que a combinação de inovação técnica, escala de operações e estratégia de comunicação elevou a influência da SpaceX no setor. Arthur Igreja, consultor em tecnologia e inovação, ressaltou o diferencial da empresa na reutilização de tecnologia e no planejamento operacional.
Reação do mercado e impacto sobre concorrentes
Nas semanas seguintes à divulgação dos planos de abertura de capital, ações de empresas como Rocket Lab, Intuitive Machines e AST SpaceMobile chegaram a cair entre 17% e 23%, reação atribuída ao temor de migração de capital para a SpaceX. George Ferguson, analista da Bloomberg Intelligence, afirma que investidores que aplicaram em companhias listadas enquanto a SpaceX era privada podem realocar recursos para a nova ação, provocando fragmentação ou saída de investimentos dessas empresas.
Imagem: Divulgação
Entre os concorrentes citados, a Blue Origin, de Jeff Bezos, sofreu um revés após a explosão do foguete New Glenn durante testes, que também danificou a plataforma de lançamento. A Rocket Lab busca espaço com o foguete reutilizável Neutron, ainda em desenvolvimento. A Boeing enfrenta uma reavaliação de projetos e também teve desgaste de imagem após problemas na cápsula Starliner, cujo incidente deixou dois astronautas no espaço por mais de nove meses até serem resgatados pela Dragon da SpaceX. Enquanto isso, a Lockheed Martin mantém posição sólida em contratos militares e governamentais.
Para empresas menores e startups do segmento espacial, o cenário mistura incerteza e oportunidades: algumas podem explorar nichos tecnológicos — por exemplo, monitoramento do tráfego espacial ou satélites especializados para setores como o agronegócio — enquanto tentam evitar competição direta de gigantes dedicadas ao transporte espacial.
O anúncio do IPO da SpaceX intensifica a atenção sobre a economia espacial e tem o potencial de concentrar ainda mais recursos e influência em torno do conglomerado de Musk, ao mesmo tempo em que reordena as expectativas de investidores e concorrentes.
Com informações de Tecmundo

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6