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A Iberia tem reforçado sua presença no Brasil: desde dezembro e janeiro a companhia espanhola passou a operar voos diretos de Fortaleza e Recife para Madri e, a partir de maio, essas rotas aumentarão a oferta de três para quatro frequências semanais.

Para 2026, a aérea planeja disponibilizar mais de 680 mil assentos ao mercado brasileiro, um acréscimo de 14% em relação ao ano anterior. Segundo Marina Vela, responsável pela área de Vendas Corporativas da Iberia, o Brasil figura como prioridade entre os mercados mais relevantes da empresa.

Os voos para as cidades nordestinas utilizam o Airbus A321XLR, modelo narrow-body de longo alcance que permite operar travessias transatlânticas com custos inferiores aos dos widebodies tradicionais. Com as operações em Fortaleza e Recife, o Brasil passa a ser o único país da América Latina atendido pela Iberia em quatro cidades — além de São Paulo e Rio de Janeiro, que já contavam com até duas e três frequências diárias, respectivamente.

A estratégia brasileira integra um plano maior de transformar Madri no principal centro de conexões entre Europa e América Latina. Na teleconferência de resultados de 2025, o CEO Marco Sansavini afirmou que Madri tende a assumir papel semelhante ao de Miami. Parte desse movimento se reflete no desempenho financeiro: a receita por assento em cabines executivas da Iberia está 34% acima do nível de 2019, e a receita do segmento business na América Latina cresceu 7% no último ano.

No âmbito da holding IAG — que reúne Iberia, British Airways, Aer Lingus e Vueling — a capacidade na América Latina e Caribe avançou 3,3% em 2025, com receita unitária subindo na mesma proporção em moeda constante. Para 2026, o grupo projeta expandir a capacidade no Atlântico Sul entre 4,5% e 5%, mais que o dobro da média do grupo.

Foco no cliente corporativo

O turismo responde por grande parte do fluxo ao Brasil, mas a Iberia vem concentrando esforços no passageiro corporativo. Levantamento da Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), em parceria com a Fecomercio, aponta faturamento recorde de R$ 147,8 bilhões para o setor de viagens corporativas. Segundo a Abracorp, o turismo de negócios no Brasil somou R$ 13,7 bilhões em 2025 — novo recorde —, com os serviços aéreos representando 57,5% desse total, equivalentes a R$ 7,87 bilhões.

Vela afirma que os contratos corporativos respondem formalmente por cerca de 15% dos passageiros da Iberia no Brasil, mas a análise do comportamento de viagem indica que esse porcentual pode chegar a 30%. Após a pandemia, a companhia redesenhou sua oferta para empresas, priorizando flexibilidade e experiência em vez do preço. O novo pacote corporativo inclui embarque prioritário, reserva de assento gratuita, maior margem para mudanças de voo, integração com o programa Iberia Plus e proteção extra contra disrupções; entre as novidades está a família tarifária Corporate Bundle, voltada a clientes empresariais.

As soluções são válidas em toda a rede da IAG, o que amplia opções para empresas com operações multinacionais. No Brasil, a capilaridade é reforçada por um acordo de codeshare com a Gol, que amplia a conectividade a cerca de 50 destinos domésticos e inclui ligações até o Paraguai.

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O desempenho financeiro do grupo favorece a expansão: a IAG encerrou 2025 com lucro operacional recorde de € 5 bilhões e margem de 15,1%. A Iberia registrou margem operacional recorde de 16,2% e lucro operacional de € 1,3 bilhão, próximo dos € 1,4 bilhão previstos no Plano de Voo 2030, que prevê € 6 bilhões em investimentos e a incorporação de 70 aeronaves de longo alcance.

Concorrência e riscos

No início de abril, a IAG anunciou que não concorreria à privatização da TAP, citando a falta de possibilidade de obter controle como motivo. A decisão reforça a aposta em Madri em vez de integrar Lisboa ao seu sistema de hubs, e a expansão da Iberia no Brasil sinaliza uma maior competição com a TAP no mercado transatlântico.





Infraestruturas assimétricas ajudam a Iberia: o aeroporto de Barajas opera com cerca de metade da capacidade e tem projetos de expansão, enquanto Lisboa funciona perto do limite, e a conclusão do novo terminal de Alcochete ainda levará anos. Além disso, a TAP enfrenta restrições regulatórias que impedem aumento de oferta até julho de 2026, período em que a Iberia planeja ampliar operações.

Entre os riscos, a conta de combustível da IAG para 2026 subiu de uma estimativa inicial de € 7 bilhões para cerca de € 7,4 bilhões em função dos conflitos no Oriente Médio. O grupo afirma ter protegido cerca de 62% do consumo previsto por meio de hedge, mas a volatilidade permanece, conforme reconheceu o CFO Nicholas Cadbury em teleconferência com analistas.

A Iberia não informou novos destinos de curto prazo no Brasil, mas mantém estudos sobre possíveis rotas adicionais.

Com informações de Investnews