O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira, 8, que deu instruções a seus “representantes” para comprar US$ 200 bilhões em títulos lastreados em hipotecas. O anúncio foi feito por meio de uma publicação na rede social Truth Social, plataforma onde o republicano costuma divulgar posicionamentos sobre economia e política.

Segundo Trump, a operação pretende reduzir as taxas de financiamento imobiliário, diminuir os valores das prestações mensais e, consequentemente, tornar a aquisição de imóveis mais acessível para a população americana. “É um dos meus muitos passos para restaurar a acessibilidade, algo que a administração Biden absolutamente destruiu”, escreveu.

Na mesma mensagem, o ex-presidente justificou a decisão mencionando a Fannie Mae e a Freddie Mac, instituições que compram e garantem hipotecas nos Estados Unidos. Ele afirmou ter optado por manter as duas empresas sob controle do governo federal em seu primeiro mandato, em vez de vendê-las, e que agora elas “valem muitas vezes esse valor”, dispondo de “US$ 200 bilhões em dinheiro”.

Trump não detalhou se a aquisição dos títulos seria conduzida diretamente por essas agências ou por outra estrutura. Também não especificou o cronograma de compras, nem quais instituições financeiras participariam das operações no mercado secundário de hipotecas.

Possível oferta pública para Fannie e Freddie

Mais cedo, o diretor da Agência Federal de Financiamento Habitacional (FHFA, na sigla em inglês), Bill Pulte, informou que o governo deverá tomar uma decisão “nos próximos um ou dois meses” sobre a realização de uma oferta pública inicial (IPO) para a Fannie Mae e a Freddie Mac. As duas companhias permanecem sob tutela federal desde a crise financeira de 2008, quando foram resgatadas para evitar colapso no mercado imobiliário norte-americano.

Embora Pulte não tenha mencionado valores nem prazos exatos, a eventual abertura de capital das empresas poderia alterar a dinâmica de captação de recursos para financiamento de imóveis no país, tema que se conecta diretamente à proposta de aquisição dos US$ 200 bilhões em títulos defendida por Trump.

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Até o momento, a Casa Branca e o Departamento do Tesouro dos EUA não comentaram publicamente o plano divulgado pelo ex-mandatário. Não houve, também, posicionamento oficial do Federal Reserve, o banco central norte-americano, sobre possíveis impactos nas taxas de hipoteca decorrentes de uma compra em larga escala de títulos lastreados em imobiliário.

Analistas de mercado avaliam que a movimentação pode aumentar a liquidez no segmento de crédito habitacional, mas ponderam que o volume anunciado representa parcela significativa do estoque de títulos hipotecários em circulação. Caso a operação se confirme, será necessário acompanhar como o Tesouro e os reguladores irão estruturar a transação para evitar distorções no mercado secundário.

Embora ainda faltem detalhes operacionais, a sinalização de Trump reforça a estratégia de colocar o tema da moradia no centro do debate econômico nos Estados Unidos, especialmente em ano eleitoral, quando o custo do financiamento habitacional é uma das principais preocupações dos consumidores.

Com informações de Infomoney