O aumento da prática de atividades como o pilates reformer e a musculação tem sido acompanhado por um crescimento nos relatos de lesões e problemas relacionados ao treino intenso, segundo relatos vindos do Reino Unido e do Brasil. Especialistas e veículos apontam que a combinação entre busca por resultados rápidos, turmas numerosas e formação limitada de instrutores tem contribuído para acidentes e quadros clínicos mais graves.

O pilates, criado por Joseph Pilates no início do século XX, ganhou popularidade por trabalhar força, postura e consciência corporal. A versão com equipamentos, conhecida como pilates reformer, atrai adeptos por oferecer resistência com baixo impacto. Porém, conforme reportagens recentes, a expansão da modalidade também trouxe distorções na oferta de aulas e na supervisão técnica.

Relatos incluem quedas de aparelhos, uso indevido das estruturas e execução incorreta de movimentos. Em estúdios ou academias com muitas pessoas e um único instrutor, o acompanhamento individual fica prejudicado, aumentando o risco de erro e de acidentes.

LESÕES ALÉM DO PILATES

Os problemas não se limitam ao pilates. Na musculação e em treinos intensos, a sobrecarga e a repetição sem descanso adequado também elevam a chance de lesões. As ocorrências mais frequentes são dores no pescoço, sobrecarga muscular, inflamações em tendões e lesões articulares. Em casos mais graves, há registros de fraturas, rompimentos musculares e afastamentos prolongados das atividades.

Movimentos realizados sem a ativação correta do centro do corpo, sobretudo da musculatura abdominal, podem gerar compensações que sobrecarregam outras regiões, ampliando o risco de lesões.

RISCO SILENCIOSO DO OVERTRAINING

O overtraining, condição provocada pelo excesso de exercícios sem recuperação suficiente, tem se mostrado um problema crescente. O quadro costuma se desenvolver ao longo do tempo e não surge de imediato. Segundo material divulgado pelo blog do Albert Einstein, sinais característicos incluem fadiga persistente, queda no desempenho, dores que não melhoram e dificuldade para tarefas simples. Alterações no sono, irritabilidade e desmotivação também são citadas.

Em estágios mais severos, o excesso de treino pode afetar o sistema hormonal, reduzir a imunidade e aumentar riscos cardíacos. Existe ainda a possibilidade de ocorrência de rabdomiólise, condição grave associada à destruição de fibras musculares.

Imagem: Freepik

RECENTE CASO DE RABDOMIÓLISE E ALERTA

A cientista brasileira Juliana Pegos foi internada por cinco dias após desenvolver rabdomiólise após uma aula de pilates que incluiu exercícios novos. Inicialmente o quadro foi tratado como inflamação, mas evoluiu com inchaço, dor intensa e limitação de movimentos até o diagnóstico correto. A rabdomiólise pode sobrecarregar os rins devido à liberação de enzimas musculares; em casos extremos, há risco de insuficiência renal, necessidade de diálise e morte.

Especialistas salientam que a condição não ocorre apenas em uma modalidade específica; pode surgir em musculação, crossfit, corrida ou pilates, dependendo da intensidade do esforço, da hidratação e do preparo físico. Médicos recomendam atenção a sinais como dor incomum, inchaço, fraqueza e dificuldade para se mover. A prevenção passa por evitar sobrecarga, respeitar limites individuais e manter adequada hidratação antes e após os treinos.

A busca por resultados rápidos é apontada como uma das causas do aumento dos problemas: treinos inspirados por redes sociais são muitas vezes reproduzidos sem adaptação, e cursos de formação breves aliados a aulas padronizadas podem resultar na priorização da intensidade em detrimento da técnica. Em vez de progressão gradual, praticantes são frequentemente expostos a exercícios avançados logo no início.

Apesar dos riscos, o exercício físico permanece essencial para a saúde. A orientação é respeitar limites, intercalar treinos e descanso, buscar acompanhamento profissional, realizar avaliações físicas e ajustar a intensidade quando necessário. Sinais como dor persistente, cansaço extremo ou queda de rendimento devem ser observados e não ignorados.

Com informações de Fastcompanybrasil