Resumo: O Irã vem usando sua posição geográfica no Estreito de Ormuz como um instrumento de dissuasão estratégico, capaz de afetar o comércio global de petróleo e a estratégia militar dos Estados Unidos e Israel, dizem autoridades e analistas.

WASHINGTON — O esforço militar conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irã, motivado em parte pelo temor de que Teerã conseguisse uma arma nuclear, revelou uma outra forma de dissuasão iraniana: o domínio sobre o Estreito de Ormuz. A rota concentra cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente e, durante o confronto, o fechamento parcial ou a ameaça de interrupção elevaram preços de combustíveis, fertilizantes e outros produtos.

A campanha dos EUA e de Israel danificou a liderança iraniana, navios e instalações de produção de mísseis, mas não conseguiu eliminar a capacidade de Teerã de influenciar o tráfego pela passagem marítima, afirmam militares e analistas. Assim, o país pode manter adversários à distância usando sua geografia, segundo especialistas.

Autoridades citadas por analistas de defesa estimam que, após semanas de combate, o Irã ainda preserva cerca de 40% de seu arsenal de drones de ataque e mais de 60% de sua capacidade de lançamento de mísseis, percentuais suficientes para tornar o tráfego no Estreito de Ormuz vulnerável a novas ameaças.

O ex-chefe da divisão Irã da inteligência militar de Israel, Danny Citrinowicz, agora pesquisador no Atlantic Council, afirmou que ficou claro que fechar o estreito seria um dos primeiros recursos adotados pelo Irã em um eventual conflito futuro.

Nos últimos dias, o presidente Donald Trump publicou mensagens nas redes sociais garantindo que o estreito estava “totalmente aberto” à navegação, e autoridades iranianas civis emitiram declarações semelhantes. Em contraste, a Guarda Revolucionária do Irã declarou que a rota seguia fechada, o que indica divergências internas entre autoridades militares e civis durante as tratativas para encerrar a guerra.

Além de minas navais, o Irã dispõe agora de drones kamikaze e mísseis de curto alcance que permitem controlar com maior precisão a circulação de navios. A disputa levou os EUA a anunciar um bloqueio naval e a redirecionar navios cargueiros para portos iranianos após a travessia da rota, ação que Teerã qualificou de ato de guerra.

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O impacto econômico do bloqueio é significativo para o Irã: o comércio marítimo responde por cerca de 90% da produção econômica do país — aproximadamente US$ 340 milhões por dia — e, nos últimos dias, esse fluxo sofreu forte redução.

O Irã já havia realizado bloqueios parciais do Estreito de Ormuz durante a guerra com o Iraque na década de 1980, quando espalhou minas na área. Desde então, segundo especialistas, Teerã aperfeiçoou o uso de mísseis e drones para ameaçar tanto navios militares quanto embarcações comerciais, mantendo arsenais suficientes para ameaçar a rota caso opte por fazê-lo.

Durante a ofensiva militar de junho passada, o governo iraniano optou por não fechar o estreito — uma decisão atribuída à cautela do então líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, que temia atrair apoio internacional à ofensiva contra Teerã. Na atual guerra, Khamenei foi morto no primeiro dia do conflito, fato que, segundo analistas, alterou a percepção iraniana sobre os objetivos da campanha contrária.

Autoridades e avaliações de inteligência divergem sobre os números exatos do estoque de armamentos iranianos, mas há consenso de que o país manteve poder suficiente para interromper o tráfego marítimo no futuro, caso decida usar esse recurso.

Com informações de Infomoney