As empresas brasileiras começaram 2026 enfrentando um aperto financeiro adicional ao previsto nos orçamentos: além da alta dos juros e do crédito restrito, as incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio acrescentaram pressão sobre a liquidez corporativa. Esse ambiente de maior risco tem elevado o alerta sobre inadimplência e potencial aumento de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial.
Quem e o que
Especialistas ouvidos pelo InfoMoney dizem que a deterioração financeira das companhias resulta de vários fatores internos e externos combinados. A gestão rigorosa do caixa e a renegociação de dívidas são apontadas como medidas essenciais para evitar processos de recuperação judicial, enquanto o mercado aguarda clareza que, nas projeções mais realistas, só deve aparecer no próximo ano.
Quando e onde
O levantamento da Serasa Experian mostra crescimento contínuo da inadimplência empresarial nos últimos anos: há cinco anos havia 5,8 milhões de empresas inadimplentes; o número aumentou para 7,8 milhões em junho de 2025 e alcançou 8,9 milhões em dezembro de 2025. Em janeiro de 2026, o indicador recuou para 8,7 milhões.
Como e por que
No período analisado, a taxa Selic subiu de 13,25% em janeiro de 2025 para 15% em junho de 2025, permanecendo nesse nível até março deste ano, quando caiu para 14,75%. A natureza das dívidas também ajuda a explicar o aperto: boa parte dos atrasos entre pessoas jurídicas não envolve o sistema financeiro, mas decorre de rupturas na cadeia produtiva e relações com fornecedores, ressalta Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian.
Para Max Mustrangi, especialista em reestruturação e CEO da Excellance, os juros agravam o quadro, mas não são a causa única do estrangulamento. Segundo ele, o custo de carregar dívida e pagar compromissos pesa mais em empresas já muito endividadas. Lucas Pena, CEO da Pact, afirma que inadimplência e pedidos de recuperação refletem frustração de expectativas de crescimento e falhas de governança, citando casos em que provisões para custos judiciais se mostram muito abaixo do necessário.
Impactos externos e projeções
O conflito no Oriente Médio elevou custos e contribuiu para desacelerar a queda esperada da Selic, além de introduzir volatilidade no câmbio e no preço do petróleo — fatores que tornaram inviáveis planejamentos fechados no fim de 2025. A instabilidade internacional também ofuscou até mesmo preocupações eleitorais para 2026, com companhias priorizando medidas imediatas de sobrevivência.
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Acadêmicos e consultores alertam para um período prolongado de cautela. Eduardo Menicucci, professor de finanças da Fundação Dom Cabral, relata que setores projetaram receitas semelhantes para 2025 e 2026, sinalizando ausência de crescimento. Alex Nery, professor da FIA, e outros especialistas veem 2026 como um ano ainda difícil, com melhoria mais perceptível apenas em 2027.
Recuperações e conduta exigida
Como consequência do aperto, aumentaram pedidos de recuperação, tanto extrajudiciais quanto judiciais. Especialistas destacam que esses instrumentos são mecanismos legítimos de reorganização, mas exigem transparência e cumprimento dos acordos. Mustrangi enfatiza que manter a credibilidade nas negociações é crucial: prometer e cumprir é o caminho para restabelecer confiança com credores.
No cenário atual, a recomendação unânime é revisar operações internas, cortar custos e buscar fontes alternativas de receita, além de agir com disciplina financeira e transparência nas renegociações. O crédito mais restrito e o maior critério das instituições tornam a reorganização via crédito mais difícil, exigindo que empresas se adaptem internamente para sobreviver.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6