Pesquisadores propõem que alguns buracos negros observados hoje podem ser remanescentes de um cosmos anterior, sobrevivendo a uma transição entre ciclos cósmicos em vez de terem surgido apenas após o Big Bang. A hipótese baseia-se em um modelo teórico que substitui a singularidade tradicional por um “rebote” físico, conhecido como Big Bounce, no qual um universo em contração volta a se expandir.
O que o novo modelo afirma
Segundo o estudo publicado no repositório ArXiv (https://arxiv.org/abs/2602.17702v1), a física permite que estruturas de altíssima densidade atravessem o ponto de compressão máxima sem desaparecer completamente. Essas estruturas seriam buracos negros fósseis, diferentes dos formados pelo colapso de estrelas atuais, possuindo massas e características que não se encaixam nos modelos estelares padrão.
Como funcionaria a passagem entre ciclos
No cenário descrito, um universo mais antigo passa por contração gravitacional intensa (Big Crunch). Em vez de uma singularidade com densidade infinita, efeitos da gravidade quântica impediriam o colapso total, provocando um salto de volta à expansão. Esse mecanismo atuaria como um filtro físico: enquanto radiação e muitas estruturas seriam reconfiguradas, núcleos extremamente densos — como os buracos negros gigantes — poderiam resistir e reaparecer no novo ciclo.
Evidências e potenciais observáveis
Os autores apontam duas linhas de evidência possíveis. A primeira é a presença, em idades cosmológicas muito recuadas, de buracos negros com massas tão elevadas que não haveria tempo suficiente para que crescessem por acreção ou fusões estelares. A segunda envolve sinais no Fundo Cósmico de Micro-ondas (CMB): padrões térmicos ou anomalias gravitacionais poderiam indicar a influência desses objetos durante o colapso anterior.
Fundamentos teóricos e consequências
O modelo se apoia em concepções de gravidade quântica em laços (Loop Quantum Gravity) para explicar a substituição da singularidade por um rebote. Entre as implicações discutidas estão a possibilidade de ciclos eternos de expansão e contração e a necessidade de reconsiderar como a entropia evolui ao longo desses ciclos. Os buracos negros fósseis, se confirmados, serviriam como sementes para a formação inicial de estruturas no universo atual e como prova a favor do Big Bounce.
Imagem: Divulgação
A investigação sugere um deslocamento do foco científico: em vez de buscar um início absoluto, a cosmologia ampliaria a busca pelos processos que permitem a transmissão de estruturas entre diferentes ciclos cósmicos.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6