TRANSMISSÃO: Record
Uma série de grandes projetos de baterias deve ser conectada às redes elétricas ao longo de 2026, em países que vão do Brasil à Mongólia, impulsionada pela queda de preços dos equipamentos e pela demanda crescente por eletricidade, especialmente de data centers.
Analistas da BloombergNEF estimavam que as instalações de armazenamento em baterias aumentariam cerca de um terço em 2026, com evolução marcada na Europa, Oriente Médio, África e América Latina. A elevação do custo dos combustíveis fósseis, em parte acelerada pela guerra no Oriente Médio, também contribuiu para tornar as baterias uma alternativa mais atraente no sistema energético global.
O leilão no Brasil
No Brasil, a expansão solar transformou a matriz: hoje a geração fotovoltaica produz mais energia do que as hidrelétricas, que respondem por 32% da matriz. Ao meio-dia, os painéis chegam a fornecer 44% da eletricidade nacional, mas parte dessa produção não chega ao consumo por limites de transmissão — fenômeno conhecido no setor como curtailment.
Ao longo do dia, cerca de 20% do potencial de solar e eólica é perdido por esse motivo, o que equivale a até 4 GW de capacidade desperdiçada — energia suficiente para abastecer uma cidade de 12 milhões de habitantes. Para mitigar esse descompasso entre oferta no pico diurno e falta de oferta no período noturno, o governo federal organiza o primeiro “leilão de reserva de potência”, previsto para junho, destinado a contratar cerca de 2 GW de energia estocada em megabaterias (BESSs).
No modelo econômico proposto, parques de baterias de lítio compram energia a preços baixos durante o dia — muitas vezes aproveitando excedentes que seriam cortados — e a vendem nos picos de demanda, quando as tarifas são mais elevadas, criando margem para o investidor.
Expansão global e fatores de oferta
O fenômeno é global. Na Mongólia entraram em funcionamento recentemente três megaprojetos somando 3 GW. Na Escócia, duas grandes fazendas de baterias em terrenos de antiga mina de carvão têm previsão de operação ainda em 2026. Na Austrália, o megaprojeto Waratah Super Battery, em Nova Gales do Sul, já chegou a injetar mais eletricidade no pico noturno do que usinas a gás, e deve atingir operação plena em 2026; seu custo de construção estaria 20% menor hoje do que no início das obras, segundo a proprietária Akaysha Energy.
Imagem: Getty Images
A China domina a fabricação de baterias em escala mundial, respondendo pela maior parte da capacidade produtiva e por cerca de metade das instalações em rede. Investimentos na cadeia de veículos elétricos geraram excedente de produção, pressionando preços para baixo e ampliando a disponibilidade global de baterias de grande escala.
Demanda e aplicação
O crescimento da demanda também é impulsionado pela necessidade de rapidez na implantação de capacidade: nos EUA, data centers têm optado por combinações de solar e baterias em razão dos prazos longos e gargalos para erguer usinas convencionais. A Energy Information Administration (EIA) projeta que baterias responderão por mais de um quarto da capacidade recorde de geração que os EUA vão adicionar em 2026.
O armazenamento por baterias vem, assim, mudando sua percepção — além de fonte de energia limpa, passou a ser visto como elemento de resiliência das redes elétricas, diante de limitações de transmissão e pressões sobre oferta de combustíveis.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6