Planejar a primeira viagem internacional para 2027 exige organização financeira e estratégia para lidar com câmbio, liquidez e custos inesperados. Com um horizonte de 15 a 18 meses, especialistas ouvidos pela reportagem indicam formas de acumular o valor necessário, proteger o poder de compra em moeda estrangeira e reduzir riscos antes do embarque.

Prazo e objetivos

Quem inicia o planejamento agora conta com cerca de 15 a 18 meses até 2027. Para metas de viagem estimadas em US$ 3.000, US$ 5.000 e US$ 10.000, os planejadores financeiros consultados calcularam quanto precisa ser poupado mensalmente e que instrumentos usar para minimizar a exposição ao risco.

Onde investir antes da viagem

Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP e especialista em investimentos, afirma que, por se tratar de recursos com data de resgate definida, a prioridade deve ser a preservação do capital e a liquidez. Produtos atrelados ao CDI, influenciados pela taxa Selic, são apontados como adequados: Tesouro Selic, fundos DI e CDBs.

Patzlaff recomenda dividir os recursos entre aplicações no Brasil, buscando rendimento em reais, e transferências graduais para contas internacionais, garantindo parte do valor já em moeda estrangeira. Ativos voláteis, como ações e criptomoedas, devem ficar fora do montante principal, podendo representar no máximo 1% a 3% para perfis mais arrojados.

Estratégia de compra de moeda estrangeira

Tobias Camargo, planejador financeiro CFP e com MBA em Finanças pela B7 Business School, alerta que tentar cronometrar o “melhor momento” do câmbio costuma falhar. A recomendação é diluir compras ao longo do tempo para obter um preço médio. Em caso de queda expressiva do dólar — por exemplo, abaixo de R$ 5 — pode-se aumentar a compra no mês, mantendo reserva para futuras operações.

Contas internacionais (Nomad, Wise, Revolut, DolarApp) são citadas como alternativas para armazenar recursos em moeda estrangeira com custos menores, cobrando o dólar comercial com spread reduzido e IOF de 1,1%, enquanto compra em espécie usa o dólar turismo mais caro. Pagamentos com cartão apresentam IOF de 2,38% e spreads bancários que podem chegar a 6%.

Como distribuir o portfólio de pagamentos

Para reduzir custos e aumentar segurança, Patzlaff sugere um portfólio diversificado: 85% a 90% dos gastos do dia a dia em conta global, 10% a 15% em espécie para pequenas despesas e o cartão de crédito mantido para emergências.

Imagem: Divulgação

Quanto poupar por mês

Cálculos de Camargo indicam aportes mensais aproximados de R$ 800 para atingir US$ 3.000; R$ 1.350 para US$ 5.000; e R$ 2.700 para US$ 10.000, considerando cotação do dólar entre R$ 5,20 e R$ 5,50 e rendimento estimado entre 0,6% e 0,8% ao mês.

Simulações de Jeff Patzlaff, considerando Selic em 14,75% ao ano, CDI em 14,65% e dólar a R$ 5, mostram que ampliar o prazo de 15 para 18 meses reduz o aporte mensal. Exemplo para meta de US$ 3.000 em Tesouro Selic: aporte de R$ 1.059,56 para 15 meses e R$ 867,36 para 18 meses. Para US$ 5.000, os aportes seriam R$ 1.765,94 (15 meses) e R$ 1.445,61 (18 meses). Para US$ 10.000, R$ 3.531,88 (15 meses) e R$ 2.891,21 (18 meses).

Reservas para custos invisíveis

Além das despesas óbvias, especialistas lembram de taxas e serviços como passaporte, vistos e seguro-viagem. Tobias Camargo aconselha reservar uma margem de 10% a 20% sobre o custo total projetado para cobrir essas despesas e imprevistos. Pagar reservas maiores, como hotéis, antes da viagem também ajuda a aliviar o fluxo de caixa ao retornar.

Com essas medidas, quem planeja viajar em 2027 pode reduzir o impacto da variação cambial e garantir maior previsibilidade dos gastos durante a viagem.

Com informações de Borainvestir.b3