Pesquisa encomendada pela Mastercard ao Instituto Datafolha mostra que companhias brasileiras elevaram o orçamento e a priorização de ações contra ataques cibernéticos, acompanhando uma maior percepção de risco no mercado. O levantamento, chamado “Barômetro da Segurança Digital 2025”, indica avanço em preparo e estrutura interna, embora o número de empresas que relataram incidentes tenha variado pouco.

Segundo o estudo, 78% das empresas consultadas avaliam que seus setores estão expostos a fraudes e ataques digitais — percentual superior ao observado em 2022, quando 64% manifestaram essa percepção. A priorização da cibersegurança no orçamento também cresceu: 53% hoje consideram o tema de prioridade máxima, ante 23% no levantamento anterior.

Em relação ao aporte financeiro, 18% das organizações declararam destinar mais de 20% do orçamento para segurança digital, frente a 6% em 2022. Essas mudanças vêm acompanhadas de maior formalização das áreas dedicadas ao tema: 75% informam ter um departamento ou área específica para segurança digital, contra 35% há três anos.

O planejamento anual para segurança digital avançou para 56% das empresas em 2025, frente a 26% em 2022. Apesar do fortalecimento de processos e estruturas, 12% das empresas consultadas relataram ter sofrido algum ataque cibernético nos meses recentes, ligeiro aumento em comparação aos 10% registrados no estudo anterior; entre as atingidas, a média foi de dois episódios no período.

Respostas e desafios

O levantamento aponta melhoria na capacidade de resposta: 86% das empresas dizem ter um plano para lidar com ataques, incluindo recuperação de dados e gestão de comunicação — aumento em relação aos 79% de 2022. Simulações e testes também se tornaram mais frequentes: 75% realizaram simulações de ataques ou vazamentos nos últimos três meses, e 96% afirmam fazer testes para identificar vulnerabilidades.

Adesão a tecnologias de proteção ganhou tração. Mais da metade das empresas usa intensamente biometria para reduzir o uso de senhas em processos internos e com clientes; 47% aplicam criptografia para proteger dados críticos; e 43% usam inteligência artificial para prevenir vazamentos e fraudes.

Por outro lado, persistem desafios. A dificuldade em encontrar profissionais qualificados para gerir segurança digital é apontada como muito alta por 25% das empresas, embora esse índice tenha caído em relação a 2022. Conscientizar toda a equipe sobre a importância da cibersegurança ainda é considerado muito difícil por 18% e um pouco difícil por 42% das empresas, níveis inferiores aos do estudo anterior.

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Executivos consultados ressaltaram que, mesmo com avanços, as organizações ainda não alcançaram maturidade suficiente para neutralizar totalmente as ameaças. Apontaram também que criminosos evoluem constantemente, empregando, entre outras ferramentas, inteligência artificial para explorar novas vulnerabilidades. Funcionários seguem sendo um dos principais pontos de vulnerabilidade, por meio de uso inadequado de e-mails, downloads ou softwares não autorizados, o que tem levado a treinamentos mais frequentes e permanentes.

Outro ponto destacado é a exposição pela cadeia de fornecedores: incidentes frequentemente ocorrem quando terceiros com acesso aos sistemas das empresas não têm proteção adequada, permitindo que invasores encontrem caminhos até as companhias contratantes.

Barômetro da Segurança Digital 2025, pesquisa encomendada pela Mastercard ao Instituto Datafolha.

Com informações de Infomoney