China ordena reversão da aquisição da Manus pela Meta

Pequim ordenou que a Meta reverta a aquisição da startup de inteligência artificial Manus, avaliada em mais de US$ 2 bilhões, informou a autoridade chinesa nesta segunda-feira, 27 de abril. A decisão foi tomada pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma em um momento de maior fiscalização sobre investimentos estrangeiros em empresas de tecnologia sensível.

O gabinete da comissão que analisa a segurança de investimentos estrangeiros declarou que proibirá o investimento estrangeiro na Manus, em conformidade com leis e regulamentos, e exigirá que as partes envolvidas desfazem a transação. O comunicado não citou diretamente a Meta nem mencionou outros investidores estrangeiros relacionados à operação.

A ação sinaliza a determinação da China em evitar a saída de talentos e propriedade intelectual em áreas estratégicas como inteligência artificial, enquanto os Estados Unidos adotam medidas para restringir o acesso de empresas chinesas a chips avançados norte-americanos.

A medida surge antes da cúpula prevista para meados de maio entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim. Em janeiro, o Ministério do Comércio da China já havia anunciado uma investigação sobre a aquisição, poucos dias depois de a Meta ter concluído a compra — processo finalizado em dezembro.

Fontes informaram que investidores deixaram a Manus após a aquisição pela Meta, e que exigir o cancelamento de um negócio já concluído é uma ação incomum para as autoridades chinesas, evidenciando o aumento do rigor regulatório diante da competição tecnológica entre Pequim e Washington.

Os cofundadores da Manus, o CEO Xiao Hong e o cientista-chefe Ji Yichao, foram convocados a Pequim para conversar com reguladores em março e, posteriormente, proibidos de deixar o país, segundo cinco fontes consultadas. Ambos não responderam aos pedidos de comentário feitos pela Reuters.

Imagem: Divulgação

Em maio de 2025, a Manus recebeu um aporte de US$ 75 milhões liderado pelo fundo de venture capital norte-americano Benchmark. Em julho, a startup fechou seus escritórios na China e demitiu dezenas de funcionários. Posteriormente, transferiu suas operações para Cingapura sem aprovação dos reguladores chineses, permitindo que a controladora Butterfly Effect se reincorporasse naquele país, de acordo com pessoas familiarizadas com o caso.

A mudança para Singapura foi interpretada como uma forma de contornar restrições de investimento dos EUA e regras chinesas sobre transferência de propriedade intelectual e capital. A equipe da Manus já estaria trabalhando nos escritórios da Meta em Cingapura e os projetos seguem em andamento, segundo fontes, apesar das proibições de saída impostas aos dois executivos.

O pedido para desfazer o acordo com a Manus é o episódio mais recente de bloqueio de transação transfronteiriça por parte das autoridades chinesas.

Com informações de Infomoney