2DIE4: 24 Horas no Limite estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (30) com a proposta de colocar o público dentro das 24 Horas de Le Mans. O documentário acompanha o piloto Felipe Nasr durante a prova, a partir de seu ponto de vista e das interações com a equipe, mostrando a corrida como evento real e não como encenação.

O filme foi dirigido e produzido pelos irmãos André Abdala e Salomão Abdala, conhecidos como Abdala Brothers, e levou cerca de dois anos para ser concretizado. A equipe teve acesso direto aos bastidores de uma equipe da Porsche e adotou a postura de tratar a corrida como um set sem interferir nos acontecimentos, segundo os diretores.

Equipamento, lentes e inovação técnica

A produção combinou equipamentos cinematográficos de alto padrão com soluções desenvolvidas em parceria com a Panavision. Foram usadas câmeras 8K customizadas, além de lentes raras que, conforme os diretores, proporcionam uma separação visual entre o protagonista e o cenário, criando um aspecto mais cinematográfico mesmo em salas convencionais.

Um dos avanços técnicos do projeto foi a adaptação do uso de lentes anamórficas ao formato IMAX, um procedimento inédito para um lançamento em IMAX, de acordo com os realizadores. A técnica foi aplicada especialmente na sequência final, resultando em imagens anamórficas em uma tela mais alta, característica do padrão IMAX.

Os Abdala também destacaram que a Panavision desenvolveu protótipos específicos para atender às exigências visuais do filme, incluindo lentes inspiradas em modelos usados em produções como Oppenheimer, para obter o ‘look’ desejado.

Som e pós-produção

O desenho de som recebeu atenção prolongada: mais de um ano e meio de trabalho levou à finalização em Dolby Atmos, com mixagens que buscam reproduzir a percepção auditiva do piloto dentro do carro. Comunicações por rádio e variações de motor foram captadas e tratadas para criar uma experiência tridimensional, com efeitos sonoros posicionados de forma a reproduzir o que o piloto realmente ouve — por exemplo, comunicações vindo das caixas traseiras, como em um fone de ouvido.

Imagem: Divulgação

Os diretores informaram que, além do color grading realizado pela Light Iron, a maior parte da pós-produção foi feita por profissionais brasileiros. A necessidade de captar o diálogo de Felipe com clareza e de recriar o som dos diferentes motores mobilizou grande parte do trabalho de pós-mixagem.

Os Abdala também relataram que o projeto nasceu de uma trajetória que começou com trabalhos amadores, passando por vídeos com câmeras pequenas até a ambição de produzir um longa-metragem em IMAX. O acesso à equipe da Porsche e à garagem da prova foi apontado como um desafio vencido, permitindo cenas de intimidade e conversas técnicas que normalmente só seriam ouvidas por pilotos e engenheiros.

O resultado é uma tentativa de transformar uma corrida real em experiência cinematográfica imersiva, combinar inovação técnica e acesso exclusivo aos bastidores de uma equipe de competição.

Com informações de Olhardigital