Retorno às corridas e audiência

A Fórmula 1 retoma o calendário com o Grande Prêmio de Miami, marcado para este domingo (3), após a suspensão das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita motivada pela escalada de conflitos no Oriente Médio. A pausa interrompeu uma fase de crescimento de público na televisão brasileira e levanta a dúvida sobre a manutenção dos índices alcançados antes da interrupção.

Antes da paralisação, a categoria vinha registrando índices expressivos mesmo em horários desfavoráveis ao público brasileiro. O GP da Austrália, em Melbourne, obteve média de 6,34 pontos na TV Globo e 23,47% de participação entre televisores ligados durante a transmissão, que também estava disponível na TV por assinatura pelo SporTV 3. Os três primeiros GPs da temporada somaram quase 27 milhões de telespectadores.

O desempenho recolocou a Fórmula 1 na liderança de audiência da TV aberta após mais de quatro anos, repetindo um cenário semelhante ao observado em 2021, quando o duelo entre Max Verstappen e Lewis Hamilton alavancou os números, especialmente no GP de São Paulo. A suspensão das etapas no Oriente Médio provocou um hiato de quase um mês no calendário e abriu interrogações sobre o engajamento do público daqui em diante.

Ajustes técnicos durante a pausa

Dentro das pistas, o intervalo serviu para implementar mudanças no regulamento que vinham sendo criticadas. Entre as alterações mais relevantes estão ajustes no formato de classificação e medidas para reduzir a diferença de velocidade entre carros em modos diferentes de energia.

Os organizadores também tentaram mitigar o chamado “super clipping”, um efeito perceptível quando o carro perde potência mesmo com o piloto acelerando ao máximo, resultado da gestão de energia do sistema híbrido. A jornalista especializada Julianne Cerasoli destacou o problema: “Dá para ver, dá para ouvir, é feio. Você percebe que o carro está perdendo muita potência enquanto o piloto está acelerando tudo”, disse.

Imagem: Ap

As novas regras reduzem o tempo em que o motor a combustão é usado para recarregar a bateria, o que deve tornar o super clipping mais rápido e menos evidente, mantendo o desempenho mais uniforme ao longo das voltas. Ainda assim, o novo regulamento praticamente triplicou o uso de energia elétrica em relação ao ano anterior, e as equipes seguem encontrando dificuldades de adaptação.

Há a percepção interna de que o motor a combustão continuará com papel mais relevante do que o previsto inicialmente até que a tecnologia híbrida atinja equilíbrio mais confiável. O cenário combina incertezas técnicas e a necessidade de provar que a pausa não esfriou o interesse do público; os dados iniciais apontavam recuperação consistente, mas a manutenção desses índices dependerá do desempenho esportivo e da previsibilidade técnica das corridas.

Com informações de Infomoney