A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada ao desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), reportou um aumento de 41% no prejuízo líquido do primeiro trimestre de 2026 na comparação anual. A alta nas perdas reflete a ampliação dos investimentos em pesquisa, testes e processos de certificação do projeto conhecido como “carro voador”.

Controlada pela Embraer, a empresa está em uma etapa de alto consumo de caixa típica de companhias de tecnologia industrial antes da geração de receita, com foco na ampliação da equipe de engenharia, na produção de protótipos que possam ser certificados e na criação da infraestrutura necessária para operação em ambientes urbanos.

Ao longo de 2026, a Eve concentrou esforços em centenas de voos de teste e no avanço das tratativas regulatórias com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e autoridades internacionais, parte do cronograma que visa viabilizar o início da operação comercial da aeronave em 2027.

Apesar do prejuízo ampliado, a companhia reforçou sua posição financeira neste ano, alcançando US$ 1,2 bilhão em financiamentos após captar US$ 150 milhões adicionais junto a grandes instituições financeiras. Esse incremento de capital tem o objetivo de sustentar a fase mais intensiva do desenvolvimento do eVTOL, num contexto em que concorrentes globais enfrentaram dificuldades de liquidez.

A Eve mantém aproximadamente 2,9 mil pedidos de reserva distribuídos por clientes de 13 países, com potencial de receita superior a US$ 14 bilhões, o que indica demanda comercial mesmo diante do crescimento das perdas. A proposta da empresa é posicionar o eVTOL como alternativa de mobilidade urbana para reduzir tempos de deslocamento entre aeroportos e áreas metropolitanas e diminuir emissões.

Imagem: Divulgação

Para investidores, o resultado do trimestre reforça a percepção de que a tese de valor da Eve está mais vinculada à capacidade de execução tecnológica e à obtenção de certificações do que à rentabilidade imediata. O desafio apontado permanece sendo a transformação do investimento intensivo em inovação em uma operação em escala sem comprometer o cronograma por falta de caixa.

O relatório trimestral evidencia a continuidade da estratégia da companhia de acelerar seu desenvolvimento tecnológico enquanto sustenta a capacidade financeira para os próximos passos do projeto.

Com informações de Portalin