O navio de expedição MV Hondius, retido desde domingo na costa de Cabo Verde após um surto de hantavírus que já causou mortes a bordo, partiu em direção à Espanha nesta quarta-feira, informou uma testemunha à Reuters. Três pessoas — incluindo duas em estado grave — foram retiradas da embarcação antes da partida.

Com cerca de 150 pessoas a bordo, a embarcação deve atracar em Tenerife, nas Ilhas Canárias, dentro de três dias, segundo a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García. Ela afirmou que as pessoas que permanecem no navio não apresentam sintomas da doença e que, caso continuem saudáveis após a chegada, os cidadãos não espanhóis serão repatriados para seus países de origem.

Os 14 passageiros espanhóis serão mantidos em quarentena em um hospital militar em Madri. A duração do isolamento dependerá do momento do possível contato com o vírus, cujo período de incubação pode chegar a 45 dias, segundo a ministra.

Casos, mortes e investigação

Três mortes foram registradas no surto: um casal holandês e um cidadão alemão. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que oito pessoas são suspeitas de infecção — incluindo um suíço que retornou à Suíça e está em tratamento em Zurique — e que três casos foram confirmados por testes laboratoriais.

A Argentina comunicou que realizará captura e análise de roedores na cidade de Ushuaia, ponto de partida do cruzeiro, e que autoridades reconstroem o itinerário dos cidadãos holandeses que viajaram à Argentina e ao Chile antes de apresentar sintomas no navio. Até o momento, não foram identificados casos associados na Argentina.

A África do Sul confirmou tratar-se da cepa andina do hantavírus, que, em raras ocasiões, pode transmitir-se entre humanos por contato muito próximo. O ministério sul-africano informou que enviará o RNA viral e diretrizes para diagnóstico e tratamento a laboratórios na Espanha, Senegal, África do Sul, Holanda e Reino Unido.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que as três pessoas evacuadas nesta quarta-feira estavam a caminho da Holanda. O Ministério das Relações Exteriores da Holanda detalhou que os evacuados incluíam um holandês, um alemão e um britânico, e que seriam levados a hospitais especializados na Europa.

Uma das aeronaves que transportava pacientes precisou reabastecer nas Ilhas Canárias depois que o Marrocos recusou pouso para reabastecimento. Em Gran Canaria, foi relatado um problema no suporte de vida de um paciente, agora ligado à rede elétrica do aeroporto enquanto aguarda nova aeronave.

Imagem: Kasem Ibn Hattuta/via REUTERS

Rastreamento e reações

A OMS tem reiterado que o risco para o público em geral é baixo, ressaltando que a transmissão entre humanos — registrada apenas na cepa dos Andes — exige contato físico muito próximo, como compartilhar beliche ou cabine ou prestar cuidados médicos. As autoridades identificaram 65 contatos na África do Sul e outros 12 em outros países, segundo representante da OMS no país, Shenaaz El-Halabi.

Passageiros a bordo relataram medidas de precaução adotadas pelo navio: limitação de contatos próximos, uso de álcool em gel e, por precaução, máscaras. O passageiro Kasem Hato disse que o capitão manteve a comunicação com os passageiros e que o clima a bordo segue sem pânico, com atividades como leitura e filmes para manter o moral.

O MV Hondius partiu de Ushuaia em 1º de abril e visitou locais remotos, como a ilha de Santa Helena, onde cerca de 40 passageiros desembarcaram, entre eles o suíço que desenvolveu sintomas posteriormente. Cabo Verde impediu o desembarque quando o surto foi detectado e o navio permaneceu retido até a partida rumo à Espanha.

As autoridades continuam monitorando passageiros e contatos conforme as investigações prosseguem.

Com informações de Forbes