Shivon Zilis, executiva que manteve laços profissionais e pessoais com Elon Musk, prestou depoimento nesta quarta-feira (6) em um tribunal federal em Oakland, na Califórnia, e detalhou sua ligação com o bilionário e sua atuação em empresas ligadas ao desenvolvimento do ChatGPT.
O processo e o papel de Zilis
O caso, movido por Musk há dois anos, acusa a OpenAI de violar o acordo fundador ao priorizar objetivos comerciais em detrimento do interesse público. Fundada em 2015 como organização sem fins lucrativos por Musk, Sam Altman e outros pesquisadores, a OpenAI passou a ter uma estrutura com fins lucrativos que captou bilhões de dólares de investidores, incluindo a Microsoft. Musk pede US$ 150 bilhões (R$ 740,8 bilhões) em indenização e solicita medidas judiciais para desmontar a estrutura lucrativa, além de pedir a remoção de Altman do conselho e de Greg Brockman da presidência da empresa.
No depoimento, Zilis descreveu uma conversa privada com Musk após o investimento de US$ 10 bilhões (R$ 49,3 bilhões) pela Microsoft no início de 2023, quando o empresário afirmou nas redes sociais que a OpenAI estava “efetivamente controlada” pela gigante de tecnologia. Zilis disse discordar da avaliação, e relatou que Musk respondeu: “Você é ingênua”.
Vínculos profissionais e pessoais
Zilis afirmou ter ingressado como conselheira da OpenAI em 2016, cultivado amizade com Altman e Brockman e mantido, segundo seu testemunho, um relacionamento romântico com Musk ao longo do mesmo período. Embora Musk tenha declarado anteriormente que Zilis atuava como sua chefe de gabinete, ela negou ter tido esse cargo formal, mas confirmou ter trabalhado em três empreendimentos ligados ao empresário: OpenAI, Tesla e Neuralink.
Os advogados da OpenAI tentaram apresentá-la como fonte interna de informações para Musk, alegando que ele teve conhecimento das operações da companhia devido aos contatos mantidos com Zilis, e que a ação judicial só veio após o sucesso do ChatGPT. Documentos mostrados no tribunal indicam que, após sua saída da OpenAI em 2018, Musk manifestou interesse em mantê-la no conselho para continuar recebendo informações e discutiu a possibilidade de recrutar funcionários da OpenAI para a Tesla.
Mensagens exibidas no julgamento trazem Zilis perguntando a Musk se deveria “continuar próxima e amigável da OpenAI” ou se afastar, citando a dificuldade do “jogo da confiança”. Musk respondeu: “Próxima e amigável, mas nós realmente vamos tentar mover três ou quatro pessoas da OpenAI para a Tesla”.
Reações internas e contexto
Greg Brockman disse que, quando Zilis entrou para o conselho, havia desconfiança interna sobre sua presença, embora acreditasse que ela separaria seus relacionamentos pessoais do trabalho. Brockman afirmou que Zilis comunicou estar grávida sem revelar que Musk era o pai, informação que só veio à tona por reportagens. Zilis disse ao tribunal que manteve um relacionamento romântico com Musk por pelo menos uma década e que só tornou público o pai das crianças após ser avisada por um repórter do Business Insider sobre a intenção da publicação em divulgar a informação.
Imagem: Divulgação
Zilis relatou sentir-se confortável com o acordo de US$ 10 bilhões enquanto ainda integrava o conselho, mas afirmou que passou a se preocupar mais após deixar o cargo em 2023 e após conversar com Musk. Essas preocupações se intensificaram depois que o conselho da OpenAI demitiu Sam Altman no fim de 2023 e ele foi restituído ao cargo com ajuda da Microsoft cinco dias depois, episódio que, segundo Zilis, mostrou que a organização sem fins lucrativos já não exercia controle sobre a estrutura lucrativa.
“Lembro de ter ficado apavorada”, disse Zilis ao relatar o impacto da demissão de Altman. A advogada da OpenAI, Sarah Eddy, apresentou no tribunal um documento de 2017 em que Zilis ajudou a planejar um evento da Tesla e mencionou que a montadora pretendia competir com grandes empresas de IA. A defesa da OpenAI argumenta que Musk buscava competir com a startup por meio de negócios com fins lucrativos; Musk, em depoimento, reconheceu ter tentado incorporar a OpenAI à Tesla naquele ano.
Antes do testemunho de Zilis, o tribunal ouviu gravação do depoimento de Mira Murati, que entrou na OpenAI em 2018 e foi diretora de tecnologia entre 2022 e o fim de 2024. Murati afirmou não ter plena confiança em Altman em razão de falta de transparência em algumas ocasiões e criticou a forma como o conselho conduziu a demissão do executivo, dizendo que os conselheiros não foram claros sobre os motivos e não se prepararam para a transição.
O julgamento segue com a apresentação de mais provas e depoimentos que podem influenciar o desfecho dessa disputa envolvendo a governança e a estrutura financeira da OpenAI.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6