O monitoramento climático da União Europeia informou nesta sexta-feira (8) que as águas oceânicas estão prestes a alcançar temperaturas inéditas, em um contexto de aquecimento acelerado que coincide com a aproximação de um padrão El Niño possivelmente intenso.
Samantha Burgess, líder estratégica para o clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), afirmou que as temperaturas de superfície do mar dos últimos dias já estão muito próximas dos recordes históricos estabelecidos em 2024 e que é questão de dias até que novos máximos sejam registrados, conforme reportado à AFP.
Dados e sinais de aquecimento
O serviço Copernicus registrou alta gradual nas temperaturas diárias dos oceanos ao longo de abril, levando o mês a ficar com o segundo maior índice histórico para as águas oceânicas. Ondas de calor marinhas atingiram níveis recordes, com destaque para a faixa entre o Pacífico tropical e a costa oeste dos Estados Unidos.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) já havia alertado no mês anterior que condições favoráveis ao desenvolvimento do El Niño podem se estabelecer entre maio e julho. O fenômeno, parte do ciclo climático do Pacífico, altera padrões de chuva e temperatura globalmente e eleva a probabilidade de secas severas, inundações e outros extremos climáticos.
Risco de evento intenso e implicações
Especialistas apontam que o próximo El Niño poderá ocorrer sobre um oceano já mais quente devido às emissões de combustíveis fósseis — os oceanos absorvem cerca de 90% do excesso de calor gerado pela atividade humana. O episódio de 2023–2024 ajudou a tornar esses anos, respectivamente, o segundo e o primeiro mais quentes já registrados.
Algumas agências meteorológicas indicam que o novo evento pode rivalizar com o chamado “super” El Niño ocorrido há cerca de três décadas. O cientista Zeke Hausfather, da Berkeley Earth, escreveu na semana passada que um El Niño intenso aumentaria substancialmente as chances de 2027 se tornar o ano mais quente já medido.
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Burgess concordou com a possibilidade de 2027 superar 2024, mas ressalvou que previsões feitas na primavera do Hemisfério Norte podem apresentar incertezas, já que a intensidade do fenômeno ainda não pode ser confirmada com precisão.
Condições globais e riscos associados
O boletim mensal do Copernicus também apontou que abril foi o terceiro mês mais quente globalmente, com temperatura média 1,43°C acima da era pré-industrial (1850–1900). O gelo marinho no Ártico manteve-se próximo de mínimos históricos, enquanto a Europa se prepara para um verão potencialmente mais quente e seco, com risco ampliado de secas e incêndios florestais.
Segundo Burgess, os dados mensais continuam a evidenciar a ocorrência de eventos extremos relacionados às mudanças climáticas.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6