No consultório, pacientes frequentemente chegam com vídeos virais nas redes sociais pedindo procedimentos tidos como “revolucionários”. A maior parte desses pedidos, segundo a dermatologista Letícia Nanci, esbarra na falta de evidência científica robusta que comprove os resultados exibidos nas postagens.

Quem: Letícia Nanci, especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), integrante da AAD (Academia Americana de Dermatologia) e da SBCD (Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica).

O quê e onde: A médica avaliou o relatório Skintuition, elaborado pela BeautyHealth, que identifica cinco tendências globais no cuidado da pele: medicalização da beleza; skinimalism; whole-body glow; cuidado cumulativo; e regeneração.

Principais pontos do relatório Skintuition

Medicalização da beleza (Beauty, MD): a tendência indica que pacientes têm buscado informações mais qualificados sobre tratamentos estéticos e exigem base científica para as intervenções, aproximando a prática estética de padrões médicos mais rigorosos.

Skinimalism: traduz a preferência por rotinas de cuidado mais enxutas e por resultados que valorizem a naturalidade e a prevenção, em vez de protocolos cada vez mais complexos.

Whole-body glow: amplia o foco do cuidado para além do rosto, integrando couro cabeludo, corpo, metabolismo, alimentação e fatores hormonais na discussão sobre saúde da pele.

Cuidado cumulativo: reforça que melhorias visíveis na pele costumam depender de continuidade e da combinação de tratamentos, hábitos corretos e acompanhamento médico ao longo do tempo, e não de soluções imediatas.

Imagem: Getty Images

Regeneração: apontada como área promissora, engloba uso de peptídeos bioativos, exossomos e intervenções relacionadas ao microbioma cutâneo. No entanto, Nanci destaca que muitos desses recursos ainda estão em fase de pesquisa e não dispõem de comprovação científica sólida nem de testes extensivos em humanos.

A autora alerta também para a origem pouco clara de diversos produtos e para a ausência de informações sobre processos de fabricação em tratamentos que prometem longevidade. Segundo ela, diferenciar inovação de evidência consolidada exige tempo: anos de estudos, ensaios clínicos controlados e seguimento a longo prazo são necessários para validar eficácia e segurança.

A coluna foi publicada na edição 139 da Forbes Brasil e está disponível nos aplicativos da revista.

Com informações de Forbes