Wall Street vem adotando a sigla NACHO — “Not a chance Hormuz Open” — para resumir a avaliação de investidores de que a principal rota marítima do Oriente Médio dificilmente será totalmente reaberta em curto prazo. A expressão ganhou força em mesas de operações e entre comentaristas de mercado, segundo reportagem da CNBC.
Origem e significado
O termo surge como uma resposta ao uso anterior da sigla TACO (“Trump Always Chicken Out”), que ironizava recuos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Agora, NACHO condensaria a visão predominante entre operadores: a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz deixou de ser tratada como um choque temporário e passou a ser vista como parte do novo pano de fundo para preços de commodities, transporte e seguros.
Impacto nos mercados
Analistas apontam que notícias de possíveis cessar-fogos vinham provocando quedas rápidas no preço do petróleo, mas as soluções esperadas não se concretizaram. Na avaliação de Zavier Wong, analista de mercado da eToro, citada pela CNBC, o comportamento dos traders passou a refletir a percepção de que a alta do petróleo não é apenas um pico transitório, e sim o “ambiente de mercado atual”.
Por consequência, a probabilidade de retorno dos preços do petróleo aos níveis anteriores ao conflito diminuiu no curto prazo. O mercado já incorpora novo posicionamento para a commodity, além de impactos indiretos sobre fretes marítimos, inflação e taxas de juros. Essa reprecificação abrange também setores além da energia, que dependem do tráfego pela região.
Embora tenha havido sinais de negociação, a cautela dos investidores permanece. Na terça-feira (5), Trump anunciou uma pausa na operação de abertura do Estreito de Ormuz para dar espaço às negociações entre os países envolvidos; entretanto, duas dias depois, na quinta (7), Estados Unidos e Irã voltaram a registrar confrontos no estreito, elevando o nível de incerteza, apesar de o presidente afirmar que o cessar-fogo ainda vigora.
Custos de seguro e outras repercussões
O mercado de seguros marítimos também refletiu a tensão: os prêmios por risco de guerra para travessias pelo Ormuz chegaram a cerca de 2,5% do valor do casco por viagem no pico em março, ante aproximadamente 0,1% antes do conflito, conforme apontado por Wong.
Imagem: Divulgação
Para a State Street Global, a permanência de preços elevados do petróleo convive com máximas históricas dos principais índices de Nova York, como o S&P 500. A gestora sugere que, caso US$ 100 por barril se torne “novo normal” nos próximos um a três meses, o impulso de alta do ouro físico pode encontrar dificuldades para sustentar níveis próximos a US$ 5.000 por onça. Por outro lado, uma queda do petróleo a US$ 80 o barril, associada a reabertura completa do estreito, poderia favorecer a passagem do ouro por US$ 5.000 e até testar cerca de US$ 5.500.
Em resumo, a sigla NACHO reflete uma mudança de expectativa entre investidores: o cenário para petróleo, fretes e seguros está sendo recalibrado para um horizonte de maior persistência das restrições no Estreito de Ormuz.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6