Dólar salta a R$ 5,04 em dia ruim para ativos brasileiros

Moeda fecha em alta e acumula 1,82% no mês; cenário combina saída de estrangeiros, Ptax e incerteza internacional — 17h05 (Brasília UTC-3)

Um funcionário conta cédulas de dólar americano em uma casa de câmbio em Jacarta, na Indonésia, na quarta-feira, 2 de março de 2022 (Dimas Ardian/Bloomberg)

” data-large-file=”https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/01/448264696.jpg?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all” />O dólar à vista encerrou o pregão em R$ 5,0453, refletindo um dia de perdas para ativos locais e maior aversão ao risco. No curto prazo a moeda registrou ganho de 0,24% na sessão; na semana subiu 0,27% e, no mês, já acumula 1,82%.

Fechamento, contratos futuros e números-chave

Às 17h05 (horário de Brasília) o contrato futuro com vencimento em julho recuava 0,07%, cotado a R$ 5,0750, enquanto a Ptax do dia foi fixada pouco acima de R$ 5,05. Durante a manhã a cotação spot chegou a R$ 5,0722, máxima registrada às 11h51.

O que impulsionou a alta

Dois fios puxaram a valorização do dólar: saída de recursos da bolsa brasileira e incertezas externas. Investidores estrangeiros reduziram posições no mercado acionário, pressionando a demanda por reais.

Além disso, o dia começou com foco na determinação da Ptax — um alvo técnico que concentra operações ao final do mês. Esse ajuste costuma intensificar movimentos de curto prazo no câmbio e nas posições dos players.

Fluxos internacionais e rotação por setores

De janeiro a abril, o mercado brasileiro recebeu cerca de R$ 42,4 bilhões em investimentos estrangeiros (excluídas ofertas e IPOs). Em contrapartida, somente em maio, até o dia 27, houve retirada líquida de R$ 14,1 bilhões. Essa reversão ajuda a explicar a pressão sobre o real.

Paralelamente, parte do capital global vem se deslocando para economias vistas como beneficiárias da onda de inteligência artificial, como Taiwan e Coreia do Sul — destinos que acabam captando parcela do fluxo que antes favorecia emergentes como o Brasil.

Imagem: Divulgação

Risco político e geopolítico na conta

Notícias de política externa também pesaram. Autoridades sinalizaram decisões sensíveis entre EUA e Irã, que mantiveram investidores em compasso de espera. No plano doméstico, a intenção de classificar facções criminosas como terrorismo adicionou um ponto de atenção sobre prêmio de risco do país.

PIB, inflação e Selic: o que muda

O Produto Interno Bruto avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026 frente ao trimestre anterior, acelerando ante a alta de 0,3% do último trimestre de 2025. No confronto anual, o crescimento foi de 1,8%.

O resultado reforça alertas sobre pressões inflacionárias e coloca em dúvida a velocidade de eventuais cortes na taxa básica de juros: a Selic permanece em 14,50% ao ano, um diferencial elevado frente a bancos centrais estrangeiros e que vinha sendo um atrativo para entradas de capital.

O que observe nos próximos dias

Os olhos do mercado seguirão voltados para o fluxo externo, desdobramentos das negociações internacionais e indicadores internos que possam alterar a expectativa sobre juros. Movimentos abruptos de saídas líquidas ou avanços no cenário externo tendem a ditar a direção do câmbio no curto prazo.

Em um ambiente sensível a notícias e ajustes técnicos, a volatilidade pode permanecer alta. Para investidores e empresas, a combinação entre prêmio de risco, rotação setorial e dados domésticos será determinante nas próximas sessões.