O aumento de mulheres à frente do orçamento familiar tem alterado a organização financeira das famílias brasileiras e ampliado a busca por proteção contra riscos vividos em vida, como doenças graves e perda temporária de renda. Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), com dados do IBGE, mostra que o Brasil tem mais de 41 milhões de domicílios chefiados por mulheres — em 52 de cada 100 lares, a mulher é a principal responsável financeira.

Pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora de 2025 indica que uma em cada três empreendedoras é mãe solo, acumulando responsabilidade pelo sustento e pelos cuidados das crianças. Entre as causas do crescimento desse perfil estão a maior escolaridade feminina, mudanças no mercado de trabalho, programas sociais e a queda da taxa de fecundidade.

Especialistas em seguros destacam que, com esse cenário, aumenta a preocupação com a proteção financeira além do seguro tradicional ligado ao falecimento. Ana Luísa da Silva, gestora da unidade da Lojacorr Seguros em Florianópolis, afirma que muitas mulheres hoje se veem como pilares da família e buscam cobertura que garanta acesso à saúde e segurança para os filhos.

As preferências por coberturas estão mudando: há maior procura por proteção contra doenças graves, invalidez e afastamento temporário do trabalho. Rosangela Duarte, gestora da Lojacorr Seguros no Pará, aponta que mulheres tendem a valorizar o propósito da proteção, enquanto homens costumam focar mais em números e retorno financeiro.

Dados da insurtech Azos mostram que mulheres representam 42% da base segurada da empresa; entre elas, 40% têm entre 35 e 44 anos. As coberturas mais contratadas por esse público são morte, invalidez e doenças graves. Quanto aos beneficiários indicados por mulheres, 42% destinam a proteção a filhos ou netos, 24,5% a cônjuges, 16,1% a avós e 8,2% a irmãos — e 23,6% dos beneficiários cadastrados por mulheres são menores de idade. Rafael Cló, CEO da Azos, observa que a rede de proteção feminina costuma ser mais ampla em comparação à masculina.

Na Favela Seguros, as mulheres correspondem a 62,11% da carteira de clientes, com demanda proporcionalmente maior por produtos voltados à proteção familiar. Ronaldo Gama, head da companhia, relata que mulheres contratam com mais frequência a opção Família Protegida, enquanto homens recorrem mais a coberturas como funeral individual.

Quatro cuidados financeiros para mães provedoras

1. Planejar cenários de interrupção de renda. Simular o impacto de ficar semanas ou meses sem renda ajuda a identificar necessidades de proteção e estratégias para manter despesas essenciais.

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2. Manter reserva de emergência. Em afastamentos prolongados ou tratamentos complexos, uma reserva financeira é fundamental. Rafael Caribé, CEO da Agilize, recomenda enxergar a reserva como parte de uma estratégia de segurança financeira, especialmente para mães empreendedoras ou profissionais autônomas.

3. Revisar o planejamento sempre que a vida mudar. Casamento, nascimento, separação, mudança de carreira ou empreendedorismo alteram despesas e dependentes, exigindo atualização na proteção e organização patrimonial.

4. Dar exemplo financeiro aos filhos. Decisões cotidianas — estabelecer limites de consumo, explicar escolhas ou envolver crianças em pequenas decisões — ajudam a ensinar hábitos financeiros e a preparar a próxima geração.

Especialistas também alertam para erros comuns, como considerar que seguro serve apenas para o caso de morte e subestimar a proteção da capacidade de gerar renda, além de não planejar a transferência patrimonial e ignorar o impacto tributário na formação de patrimônio.

Com informações de Infomoney