Um estudo publicado este mês na revista Astronomy & Astrophysics mostra que a cintilação das ondas de rádio de um pulsar permitiu identificar estruturas invisíveis no meio interestelar. A observação do pulsar PSR B1508+55, a cerca de 7 mil anos‑luz da Terra, indicou distorções nas emissões de rádio causadas por uma nuvem de gás localizada a aproximadamente 430 anos‑luz do planeta.
O que aconteceu
Pesquisadores analisaram a variação rápida do sinal, conhecida como cintilação interestelar, para mapear como o gás entre as estrelas afeta as ondas de rádio. Em vez da imagem borrada e aproximadamente circular esperada a partir de irregularidades aleatórias no meio, o pulsar apareceu alongado, como uma linha. Os cientistas interpretam esse resultado como evidência de estruturas muito finas — possivelmente filamentos paralelos ou camadas estreitas — alinhadas em uma direção específica no espaço interestelar.
O que é um pulsar
Os pulsares são restos compactos de estrelas que explodiram em supernovas. Com massa comparável à do Sol e dimensões próximas às de uma grande cidade, esses objetos giram rapidamente e emitem feixes de ondas de rádio em intervalos regulares. Quando essas ondas atravessam o meio interestelar, partículas e flutuações de densidade podem desviar e distorcer os sinais, produzindo o efeito de cintilação analisado pela equipe.
Como foi feita a observação
As medições combinaram dados de dois grandes radiotelescópios: o FAST, na China, e o telescópio de Effelsberg, na Alemanha. A grande distância entre os observatórios e o movimento da Terra foram aproveitados para registrar diferenças sutis no tempo de chegada das oscilações do pulsar. Com essas variações, os pesquisadores reconstruíram uma espécie de imagem das distorções causadas pelo meio interestelar.
Imagem: Divulgação
Segundo os autores, a metodologia utilizada é mais simples que outras técnicas avançadas em radioastronomia, pois permitiu que os dados fossem combinados em computadores comuns, sem depender de sistemas de processamento excepcionalmente grandes. Após os resultados bem‑sucedidos com PSR B1508+55, a equipe pretende aplicar o método a outros pulsares para investigar com mais detalhes as estruturas invisíveis entre as estrelas.
Os achados ajudam a detalhar a distribuição de gás e matéria no espaço interestelar, um fator que influencia a formação de novas estrelas e a propagação de sinais de rádio pela galáxia. O fenômeno observado é análogo ao tremeluzir das estrelas visto da Terra, quando a luz é distorcida ao passar por camadas da atmosfera com diferentes densidades e temperaturas; no caso dos pulsares, o efeito se dá nas ondas de rádio ao cruzarem o gás rarefeito entre as estrelas.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6