“Quem tem um ‘porquê’ para viver pode suportar quase qualquer ‘como’.” A frase de Friedrich Nietzsche vem sendo usada para explicar por que, no atual mercado de trabalho, o sentido e o propósito das atividades profissionais têm peso maior do que a remuneração na escolha dos trabalhadores.

Estudo aponta aumento do estresse e queda do engajamento

Segundo estudo publicado pela American Psychological Association em 2023, o estresse em ambientes profissionais aumentou de forma significativa, impactando tanto o engajamento quanto a permanência de funcionários nas empresas. A pesquisa indica que fatores emocionais e psicológicos são determinantes na decisão de seguir em um emprego ou buscar alternativas.

Quando o trabalho deixa de fazer sentido para o trabalhador, mesmo salários elevados não bastam para tornar a jornada sustentável. Jornadas exaustivas e ambientes com problemas de convivência ou liderança tóxica tornam o dia a dia insuportável, reforçando a ideia de que o “porquê” do trabalho é o principal combustível da motivação.

Sinais de desconexão com o trabalho

O mercado tem observado mudanças comportamentais claras. A chamada “demissão silenciosa” tem sido identificada como um indicativo de baixo engajamento: profissionais permanecem na empresa, mas reduzem o envolvimento emocional com as tarefas. Outro sinal é a alta rotatividade, associada à busca por empregos que ofereçam maior significado pessoal.

Além disso, cresce a prioridade por qualidade de vida — com ênfase em saúde mental, flexibilidade e ambiente de trabalho saudável — em detrimento de ganhos exclusivamente financeiros. Esses benefícios intangíveis passaram a ter peso igual ou superior ao salário para muitos trabalhadores.

Relação entre propósito e esgotamento

O esgotamento profissional, frequentemente classificado como burnout, tem relação direta com a ausência de propósito. Quando as atividades são percebidas apenas como obrigações, o desgaste psicológico tende a aumentar. Esse quadro é agravado por metas irreais e lideranças autoritárias, que contribuem para tornar o trabalho emocionalmente insustentável.

Imagem: Divulgação

O que as empresas podem fazer

Para recuperar ou manter o engajamento, organizações precisam ir além da política salarial. Investimentos em liderança humanizada, cultura organizacional saudável e definição clara de propósito são apontados como medidas capazes de tornar o ambiente mais sustentável. Quando o “porquê” é bem comunicado e vivenciado, o “como” do trabalho torna-se mais suportável a longo prazo.

O cenário descrito aponta para uma mudança de prioridades entre trabalhadores e empregadores, em que sentido, bem-estar e condições de trabalho passam a ser fatores centrais nas decisões profissionais.

Com informações de Olhardigital