Guilherme Horn, CEO do WhatsApp para Brasil, Índia e Indonésia e autor do livro O mindset da IA: ela pensa, você decide, afirmou no São Paulo Innovation Week (SPIW) que a inteligência artificial (IA) deve ser encarada como um salto civilizatório, capaz de transformar comportamento humano, mercado de trabalho, modelos de negócio e até a geopolítica.

O executivo, que participou da programação de IA do festival realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos no Pacaembu e na Faap, avaliou que a adoção de agentes pessoais de IA será tão comum que a forma de perceber alguém que não utiliza essas ferramentas mudará, da mesma maneira que hoje se percebe quem não possui um celular.

Horn disse que a Meta, dona do WhatsApp, vem desenvolvendo agentes de IA destinados a atuar como assistentes cotidianos, com foco em simplicidade, confiabilidade e privacidade. Segundo ele, embora criar um agente de IA ainda não seja simples, a tecnologia tende a se tornar cada vez mais acessível: “É inevitável: todos nós teremos nossos agentes de IA em muito pouco tempo”, afirmou.

O executivo destacou também a diferença crescente entre empresas que usam IA para redesenhar processos de trabalho e aquelas que a empregam apenas como ferramenta de perguntas e respostas. Horn relatou que seu próprio agente participa de reuniões e realiza intervenções superiores às suas em alguns aspectos, lembrando detalhes de anos anteriores e fazendo associações que ele não faria.

Preocupações e potencialidades

Ao comentar a visão negativa sobre a IA, Horn atribuiu parte do receio ao efeito Dunning-Kruger coletivo — fenômeno em que pessoas com pouco conhecimento acreditam entender mais do que realmente sabem. Ele citou estudo reunindo cerca de 600 profissionais nos Estados Unidos e na Europa, mencionado no livro Entanglement, de Marigo Raftopoulos, que apontou desafios como integração, confiança, desempenho e implementação, com 84% dos entrevistados preocupados com riscos relacionados a segurança cibernética, perda de empregos e usos militares.

Mesmo assim, o executivo defendeu uma perspectiva otimista, ressaltando ganhos em ciência, produtividade, qualidade de vida e empoderamento humano que já se manifestam em algumas empresas e comunidades. Na educação, Horn vislumbra ensino personalizado em larga escala, com o professor atuando mais como mentor; na medicina, ele citou avanços em diagnósticos precoces e tratamentos individualizados.

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Sobre o mercado de trabalho, Horn previu substituição de funções específicas, não extinção massiva de empregos, e criação de novas profissões ainda inimagináveis, lembrando profissões que desapareceram no passado, como datilógrafo, ascensorista e telefonista.

Sobre o SPIW

O São Paulo Innovation Week segue até esta sexta-feira, 15, reunindo mais de 2 mil palestrantes em três dias. O festival promove eventos em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade e geopolítica, entre outras. No fim de semana, o SPIW levará atividades paralelas gratuitas a quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade — Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar) — com entrada por ordem de chegada. A programação gratuita inclui nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo.

Com informações de Infomoney