Se você tem percebido uma queda no ritmo ao caminhar, especialistas recomendam checar a audição. Um estudo envolvendo 57.183 usuários de iPhone sugere que perda auditiva está associada a uma redução na velocidade da marcha.
A pesquisa foi realizada pela Apple em parceria com a Universidade de Michigan e aproveitou dados coletados via aplicativo Research. A empresa vem investigando aspectos da audição desde 2019 e, com a introdução, em 2024, de testes auditivos e recursos de aparelho auditivo no ecossistema Apple, passou a reunir informações que permitiram cruzar medições de audição e de caminhada.
O que o estudo mostra
Os dados indicam correlação entre maior perda auditiva e marcha mais lenta em adultos de várias idades, com associação mais forte entre pessoas com mais de 60 anos. A velocidade de caminhada foi calculada a partir do uso cotidiano dos dispositivos, com médias obtidas por até um ano antes e um ano depois do exame auditivo de cada participante.
Pesquisas anteriores já relacionavam perda auditiva a condições como demência, depressão, isolamento social e risco aumentado de quedas; o novo levantamento amplia a evidência de que problemas auditivos se conectam a indicadores físicos de saúde.
Por que a audição afeta a marcha
Especialistas apontam vários mecanismos possíveis. Uma hipótese é que a perda auditiva exige esforço adicional do cérebro para processar sons, comprometendo recursos que também suportam a mobilidade. “Quando você não ouve tão bem, o cérebro precisa trabalhar mais para escutar — possivelmente às custas da velocidade e da marcha”, disse o Dr. Frank Lin, clínico da equipe de saúde da Apple que ajudou a analisar os dados.
Além disso, alterações no ouvido interno podem prejudicar o equilíbrio, levando pessoas a caminhar mais devagar por sensação de instabilidade. A percepção de perda auditiva também pode tornar os indivíduos mais cautelosos, e o isolamento decorrente do problema contribui indiretamente para mudanças na marcha.
Imagem: Divulgação
Importância da velocidade ao andar
A velocidade de caminhada é vista por médicos como um importante indicador do funcionamento integrado de coração, pulmões, músculos e sistema nervoso; por isso, alguns especialistas a chamam de “sexto sinal vital”. O estudo confirma que a marcha tende a desacelerar com a idade e que a audição é um dos fatores associados a essa tendência.
O que fazer
Profissionais recomendam estabelecer uma linha de base da saúde auditiva antes de perceber sinais claros de perda, o que facilita a detecção de alterações ao longo do tempo, afirma a especialista Lindsay Creed. Usuários de iPhone ou iPad com AirPods Pro compatíveis podem realizar testes auditivos em casa pelas configurações do aparelho ou pelo app Saúde. A Universidade Johns Hopkins também oferece um aplicativo gratuito para testes auditivos.
Para monitorar a marcha, o iPhone registra dados no app Saúde; dispositivos Android e acessórios como Fitbit, Garmin e aparelhos da Samsung também fornecem alternativas. Mudanças pontuais no ritmo são normais, mas quedas consistentes ao longo de meses merecem atenção — e podem indicar problemas auditivos ou outras condições de saúde. Ainda não está estabelecido se aparelhos auditivos melhoram a velocidade de caminhada, embora possam trazer benefícios cognitivos e reduzir o risco de quedas.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6