Pesquisas em psicologia indicam que, em alguns contextos, pequenas distorções da verdade podem ajudar a preservar a harmonia entre parceiros. Estudos recentes identificam duas categorias de desonestidade — as chamadas mentiras pró-sociais e as mentiras protetoras — que, quando usadas com moderação, parecem reduzir atritos sem romper a confiança básica que sustenta o vínculo amoroso.

1. Mentiras pró-sociais

Segundo um estudo publicado em 2026 no The Journal of Social Psychology, muitas pessoas preferem respostas reconfortantes a verdades muito diretas em determinadas situações do relacionamento. Os autores relataram que a preferência por esse tipo de desonestidade é mais frequente entre indivíduos que percebem desgaste na relação, que tendem a considerar declarações francas mais danosas emocionalmente.

O conceito inclui práticas como o chamado “compliment buffering”: elogiar um jantar que não foi memorável para valorizar o esforço do parceiro; afirmar que uma roupa ficou boa quando a pergunta visa mais validação do que uma avaliação técnica; ou demonstrar entusiasmo por um presente que você não escolheria para si. Nesses casos, a função da mentira é preservar afeto e sensação de acolhimento, minimizando danos emocionais.

Os pesquisadores também alertam que mentiras pró-sociais podem se tornar nocivas se forem usadas para ocultar incompatibilidades relevantes ou evitar conversas necessárias, como afirmar apreço por um estilo de vida que realmente deixa um dos parceiros infeliz.

2. Mentiras protetoras

Um estudo de 2025 publicado na revista Personal Relationships analisou a motivação por trás das mentiras dentro de relacionamentos amorosos e concluiu que grande parte delas é concebida como proteção — tanto para o outro quanto para si mesmo. Diferentemente das pró-sociais, essas mentiras visam especificamente evitar sofrimento emocional desnecessário.

O trabalho descreve exemplos práticos: omitir reclamações sobre hábitos incômodos e cotidianos (mastigar alto, deixar portas abertas, cantarolar constantemente) para não transformar pequenas irritações em disputas constantes; fingir não lembrar detalhes embaraçosos que o parceiro compartilhou em vulnerabilidade, para não expô‑lo novamente; ou usar declarações amplificadas de exclusividade afetiva (“Nunca senti isso antes”) para fortalecer a narrativa conjunta da relação.

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Os autores ressaltam que mentiras protetoras saudáveis tendem a ser temporárias e motivadas por cuidado emocional, diferenciando‑as de enganações destinadas a manipular, evitar responsabilidades ou ocultar traições e desrespeito, que comprometem confiança e consentimento.

Em ambos os casos, segundo os estudos, a eficácia dessas formas de desonestidade depende do contexto, da frequência e da ausência de intenção de prejudicar. Quando moderadas, elas funcionam como ferramentas de regulação emocional dentro da convivência diária, complementando — mas não substituindo — a honestidade necessária para decisões e conflitos maiores.

Com informações de Forbes