A terapia com células CAR-T, voltada ao tratamento de neoplasias hematológicas, vem sendo empregada em fases mais precoces dos protocolos clínicos tanto internacionalmente quanto no Brasil. A mudança envolve pacientes com leucemias, linfomas não Hodgkin e mieloma múltiplo, em especial aqueles com recidiva ou resistência às terapias iniciais.
O que mudou
Centros especializados, redes hospitalares e serviços de oncologia têm passado a considerar a terapia celular CAR-T logo após falhas da primeira linha em determinados perfis de pacientes, ou em contextos específicos de recidiva. O procedimento consiste em coletar células de defesa do próprio paciente, reprogramá‑las em laboratório para que reconheçam e ataquem células tumorais, e reinfundir essas células em prazo médio de até 45 dias.
Pesquisas clínicas e decisões regulatórias influenciaram a alteração na indicação. A FDA (agência dos EUA) autorizou em 2022 tratamentos baseados em CAR-T para pacientes adultos com mieloma múltiplo que já haviam passado por múltiplas linhas terapêuticas. Dados posteriores, como os do estudo CARTITUDE-4, mostraram redução de 59% no risco de progressão da doença ou morte em comparação ao tratamento padrão, motivando a reconsideração do uso da técnica em fases mais precoces, inclusive em primeira ou segunda linha para perfis específicos.
Dados de eficácia e limitações
Ensaios como JULIET, CARTITUDE e ELIANA apontam taxas significativas de remissão e aumento da sobrevida livre de progressão em diferentes tipos de câncer hematológico, com acompanhamento de longo prazo em parte dos pacientes. No estudo JULIET, 115 pacientes com linfoma difuso de grandes células B recidivado ou refratário foram acompanhados por cinco anos; 61% permaneceram sem recaída no período de observação. No CARTITUDE-1, mais de 30% dos 97 pacientes com mieloma múltiplo continuaram vivos e sem progressão por pelo menos cinco anos após uma única infusão de CAR-T. E no estudo ELIANA, com 79 pacientes pediátricos e jovens com leucemia linfoblástica aguda de células B recidivada ou refratária, a taxa global de remissão foi de 82% após aproximadamente 38,8 meses de seguimento.
Apesar dos resultados promissores, ainda não há comprovação definitiva de cura, pois esse desfecho exige longos períodos sem recidiva. Mesmo assim, os achados recentes reforçam a tendência de ampliar o uso da terapia em estágios mais iniciais do tratamento oncológico.
Como é feita a seleção e o processo
Pacientes que preenchem critérios clínicos são encaminhados a equipes especializadas para avaliação detalhada do estado geral de saúde. A terapia pode ser aplicada em idosos acima de 70 anos, desde que não apresentem condições clínicas graves, como insuficiência renal em estágio avançado com necessidade de hemodiálise, insuficiência cardíaca ou cirrose hepática.
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Após a coleta inicial das células no Brasil, o material é enviado a laboratórios no exterior para engenharia genética e, posteriormente, devolvido ao país para reinfusão. Os sinais iniciais de resposta costumam surgir de forma progressiva por volta de um mês após a reinfusão, com efeitos mais expressivos e consolidação de remissões tendendo a ocorrer após o terceiro mês, segundo o hematologista Renato de Castro, da Oncologia D’Or.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou três terapias baseadas em CAR-T, ampliando a disponibilidade do tratamento em ambientes hospitalares especializados.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6