A NASA manteve as análises científicas da missão Artemis 2 após o retorno seguro da cápsula Orion ao Oceano Pacífico em 10 de abril. Dados coletados durante o voo que levou a tripulação ao redor da Lua continuam sendo examinados em laboratórios e centros de pesquisa da agência para orientar futuras missões lunares e a exploração de Marte.

Quem e o que está sendo investigado

Os quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen — passaram por avaliações médicas e físicas logo após o pouso, com exames destinados a registrar os efeitos imediatos da transição entre microgravidade e gravidade terrestre. Esses dados integram o programa Medidas Padrão de Voo Espacial da Artemis 2 e incluem pressão arterial, frequência cardíaca, visão, coordenação motora e um circuito físico com atividades como levantar, deitar, subir escadas e manipular uma escada de corda.

Avaliações no Centro Espacial Johnson e acompanhamentos

De volta ao Centro Espacial Johnson, em Houston, a tripulação realizou testes adicionais de equilíbrio, reflexos e controle motor. Também foram feitos experimentos com trajes adaptados para simular a gravidade lunar, equivalente a cerca de um sexto da gravidade terrestre, além de testes cognitivos que avaliaram memória, atenção e tomada de decisão. Em paralelo, houve uma simulação de acoplamento manual de espaçonave para medir precisão e controle motor.

Pesquisas sobre o sistema imunológico utilizam amostras de sangue e saliva coletadas antes, durante e depois da missão, buscando identificar alterações biológicas, entre elas a possível reativação de vírus latentes. Parte dos trabalhos faz parte do estudo “Riscos da Radiação para Astronautas e da Saúde e Desempenho da Tripulação” (ARCHeR). A coleta inicial de dados foi concluída cerca de 45 dias após o pouso da Orion, mas o acompanhamento médico seguirá por muitos anos para mapear efeitos de longo prazo.

Experimentos com chips biológicos (AVATAR)

A missão também transportou chips biológicos do projeto “Avaliação Avançada de Tecidos e Respostas em Ambientes de Gravidade” (AVATAR). Esses dispositivos, que continham células da medula óssea de cada astronauta, foram expostos às condições de microgravidade e radiação do espaço profundo durante a volta ao redor da Lua e agora são analisados em laboratório. Pesquisadores comparam os chips que foram ao espaço com controles mantidos na Terra, utilizando técnicas como sequenciamento de RNA de célula única para investigar alterações celulares e moleculares.

Os resultados visam compreender respostas biológicas individuais e possibilitar, no futuro, modelos e tratamentos médicos personalizados para tripulações em missões de longa duração.

Imagem: NASA

Imagens e registros da passagem pela Lua

Durante a maior aproximação da nave à superfície lunar, em 6 de abril, os astronautas passaram quase sete horas registrando imagens, vídeos e áudios de crateras, estruturas geológicas e variações de iluminação. A NASA já disponibilizou mais de 12 mil imagens públicas e anunciou a intenção de liberar mais de 11.500 imagens e cerca de 100 gravações de áudio inéditas, que serão integradas ao Sistema de Dados Planetários após padronização para acesso amplo.

Após o processamento e a anonimização dos dados biomédicos, as informações serão disponibilizadas no Arquivo de Dados de Ciências da Vida da NASA para uso da comunidade científica mundial.

Com informações de Olhardigital