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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou estilo de negociação similar ao de um executivo-chefe, promovendo acordos informais e intervenções diretas para impulsionar a economia e atrair investimentos. Em preparação para a cúpula na China, ele organizou a ida de executivos da lista Fortune 500 a Pequim, incluindo o cofundador da Nvidia, Jensen Huang, a CEO do Citigroup Jane Fraser e o líder da Boeing, Kelly Ortberg. Huang embarcou no Air Force One ao lado de Elon Musk, depois de ter sido incluído tardiamente no grupo.

Em entrevista no Salão Oval, Trump afirmou que costuma fazer “acordos que nenhuma pessoa normal faria” e descreveu-se orgulhoso de ligar pessoalmente a líderes empresariais e mundiais para obter resultados concretos. Executivos do gabinete com experiência em Wall Street, como o secretário de Comércio Howard Lutnick e o secretário do Tesouro Scott Bessent, integram a estratégia econômica do governo, que combina tarifas, aquisições de participação acionária em empresas e grandes acordos comerciais para trazer capital estrangeiro aos EUA.

Objetivos e medidas

Os dois objetivos centrais, segundo Trump, são corrigir desequilíbrios comerciais que teriam enfraquecido os EUA e compensar o crescente endividamento do país, hoje estimado em US$ 38 trilhões. Para isso, o governo tem apostado em tarifas e em participações acionárias em empresas em dificuldades, em vez de resgates ou subsídios tradicionais.

Trump criticou a decisão da Suprema Corte que considerou inconstitucionais cerca de metade das tarifas impostas no “Dia da Libertação”, e disse que terá de devolver cerca de US$ 149 bilhões arrecadados antes do julgamento. Ele também projetou que a arrecadação anual com tarifas, antes estimada por ele em US$ 600 bilhões, ficará reduzida em quase metade em razão da decisão.

Participações e exemplos práticos

O governo negociou participação de 9,9% na Intel, avaliada inicialmente em cerca de US$ 10 bilhões, após diálogo direto entre Trump e o CEO da empresa, Lip-Bu Tan. Trump afirmou que, em oito meses, essa fatia passou a valer mais de US$ 50 bilhões. Ele disse esperar vender ações gradualmente como estratégia de saída.

Na área aeroespacial, Trump tem atuado como “vendedor” junto a aliados para ampliar compras externas de aviões americanos. O presidente relatou ter sido apelidado de “Vendedor do Ano” pelo CEO da Boeing e, três dias após a entrevista, anunciou em Pequim que a China concordou em comprar 200 aeronaves da fabricante.

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Negociações e limites

O presidente também comentou intervenções em questões públicas menores, como a reforma do espelho d’água do Memorial Lincoln, e comparou a dívida americana a ativos nacionais, chegando a dizer que, contabilizados recursos naturais, o país ainda estaria pouco alavancado mesmo com uma dívida de US$ 40 trilhões.

Ao mesmo tempo, Trump reconheceu limites a sua capacidade de controlar fatores macroeconômicos: no dia da entrevista, o Senado aprovou votação processual que abriu caminho para a confirmação de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve, enquanto o índice de preços ao consumidor subiu para 3,8%, ante 3,3% do mês anterior. Ele afirmou que a guerra no Irã e o aumento do preço do petróleo complicam o combate à inflação e a tomada de decisões sobre juros.

Quanto ao futuro das práticas adotadas por ele — negociações pessoais e intervenção direta em empresas — Trump disse não saber como serão mantidas após seu mandato. “Quem assumir será muito importante”, declarou, acrescentando que, se for a pessoa errada, seria “desastre”.

Com informações de Infomoney