O Papa Leão XIV alertou que os investimentos em inteligência artificial e em armamentos de alta tecnologia podem levar o mundo a uma “espiral de aniquilação” durante um discurso na Universidade La Sapienza, em Roma. A avaliação do pontífice transformou a discussão sobre IA em uma pauta crescente dentro de diversas tradições religiosas, e a expectativa é de que ele publique em breve uma encíclica sobre o tema.
Quem e como a IA tem sido usada nas práticas religiosas
Líderes e comunidades de fé vêm testando ferramentas de IA para fins variados: desde a elaboração de sermões até a criação de chatbots capazes de responder questões doutrinárias. Pesquisadores ligados à Universidade de Kyoto colocaram no templo um monge-robô chamado “Buddharoid”, capaz de assumir posturas associadas à oração. Desenvolvedores também criaram emulações de figuras religiosas, como versões digitais de Jesus, da Virgem Maria e até de Satanás.
Alguns dirigentes religiosas rejeitam o emprego da tecnologia na condução de práticas espirituais que dependem de inspiração humana. R. Albert Mohler Jr., presidente do Seminário Teológico Batista do Sul, afirmou que recorrer à IA para escrever sermões, em lugar do trabalho pastoral humano, se aproxima de plágio. Para a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a IA pode servir para pesquisa, edição e tradução, mas não substituir o esforço individual e a inspiração divina requeridos para preparar discursos, lições, orações e bênçãos.
A adoção entre pastores e a reação dos fiéis
Mais de 600 mil pessoas já utilizaram o FaithBot, ferramenta de IA lançada no ano anterior. Segundo pesquisa da Lifeway Research, cerca de 10% dos pastores protestantes nos EUA alegam ser usuários regulares de IA; 32% dizem estar experimentando a tecnologia; 18% a evitam; e 20% a ignoram. Entre os pastores, preocupações incluem imprecisões no conteúdo gerado por IA, e 55% concordam com a ideia de que “Deus sempre compartilhou sua palavra por meio de pessoas, e a IA não é uma pessoa”.
Os frequentadores de igrejas protestantes estão divididos: aproximadamente 44% não veem problema no uso da IA por pastores na preparação de sermões, enquanto 43% discordam. Cerca de 61% dos entrevistados expressaram preocupação sobre a influência da IA no cristianismo; membros mais jovens tendem a valorizar sermões que discutam a aplicação de princípios bíblicos à tecnologia.
Posições em outras tradições e riscos identificados
No judaísmo, o rabino Yehuda Shurpin declarou que a IA não substitui a profundidade da relação humana necessária para aconselhamento espiritual nem pode desempenhar papéis em questões de lei judaica. Autoridades religiosas egípcias proibiram o uso de ferramentas como o ChatGPT para interpretar o Alcorão, enquanto pesquisadores do Instituto Yaqeen — Mohamed AbuTaleb, Ibtihal Aboussad e Kenan Alkiek — alertaram que, na tradição islâmica, o conhecimento é uma busca moral e espiritual que deveria aproximar as pessoas de Alá.
Religiosos também questionam o impacto da IA no trabalho humano. O Papa tem defendido que a IA deve servir às pessoas e não substituí-las; Daniel Daly, do Centro de Teologia e Ética na Saúde Católica, advertiu contra a visão do ser humano como “máquina a ser usada”. O rabino Geoffrey A. Mitelman apontou riscos relacionados a direitos autorais quando modelos de IA reapresentam material de terceiros sem compensação.
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Justiça social, ambiental e militar
Algumas vozes religiosas veem potencial na IA para aliviar o sofrimento — o filósofo Soraj Hongladarom propôs em 2021 que o desenvolvimento ético da IA poderia seguir princípios budistas de redução do sofrimento. Ainda assim, há inquietação sobre o uso militar da tecnologia: o Papa pediu vigilância para que sistemas armamentistas baseados em IA não eximam humanos de responsabilidade, e o Conselho Mundial de Igrejas alertou para os riscos de “robôs assassinos”.
Preocupações adicionais incluem a possibilidade de desinformação religiosa — com bases de dados majoritariamente ocidentais e seculares apresentando “pontos cegos” sobre o Islã — e o surgimento de notícias falsas sobre comunidades de fé; o Comitê Judeu Americano registrou apreensão entre judeus americanos sobre esse problema. Também foram apontados custos ambientais da infraestrutura de IA, como consumo de água e energia em grandes centros de dados, mencionados por organizações como a Igreja Presbiteriana dos EUA e a Igreja Metodista no Reino Unido.
Embora exista otimismo pontual sobre a capacidade da IA de contribuir para avanços em saúde e tecnologia para o bem-estar humano, as comunidades religiosas provavelmente adotarão posturas variadas ao avaliar benefícios e riscos.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6