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A Copa do Mundo reforça a demanda por produtos ligados ao futebol, especialmente camisas da seleção, mas ao mesmo tempo reduz o fluxo de consumidores nas lojas de moda física em um período comercialmente relevante. Dados da IEMI – Inteligência de Mercado mostram que o mercado de artigos esportivos faturou R$ 61,4 bilhões em 2025, dos quais cerca de R$ 20,5 bilhões vêm de itens relacionados ao futebol, como camisas, chuteiras, agasalhos e acessórios.

Para Marcelo Prado, diretor da IEMI, o torneio provoca um “efeito duplo” no consumo: categorias associadas ao futebol crescem, enquanto parte do varejo tradicional de moda sofre com a queda de circulação nas lojas físicas. “Quem apela para as cores da seleção acaba tendo impacto positivo”, afirmou Prado ao InfoMoney. O desempenho da seleção também influencia a procura: avanços do Brasil na competição tendem a aumentar o engajamento e a demanda por produtos temáticos.

O Índice do Varejo Stone (IVS) apontou crescimento de 1,3% em abril no segmento de tecidos, vestuário e calçados na comparação anual, movimento que a Stone considera possivelmente reflexo dos efeitos iniciais da Copa. Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, parte desse avanço está ligada ao aumento das vendas de camisas de seleções e peças com referências ao futebol, com expectativa de intensificação conforme o torneio se aproxima.

Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil indica que cerca de 99,2 milhões de consumidores pretendem realizar compras relacionadas à Copa de 2026, sendo que 60% dos brasileiros planejam adquirir produtos ou serviços ligados ao evento. Entre os itens mais procurados estão bebidas não alcoólicas, petiscos, carnes para churrasco e cerveja. No varejo de moda, 61% pretendem comprar camisas oficiais ou temáticas, além de bandeiras e acessórios associados à Seleção.

Apesar do aumento nas categorias esportivas, Prado ressalta que os jogos retiram público das lojas físicas, afetando especialmente operações dependentes de tráfego espontâneo em shoppings, cenário que deve se acentuar em 2026 pela realização de partidas no fim da tarde e início da noite.

A IEMI também compilou dados históricos sobre o impacto da Copa no varejo de moda e calçados: em 2006 o setor cresceu 2% no ano, mas caiu 3,8% nos meses da Copa; em 2010 houve alta de 10,6% no ano e avanço de 8,4 durante o torneio; em 2014 o varejo caiu 1,1% no acumulado anual e recuou 3,3% nos meses da competição; em 2018 a retração foi de 1% no ano e de 5,3% durante a Copa; e em 2022 a queda anual foi de 0,5%, com forte retração de 13,6% nos meses do Mundial. Para 2026, a IEMI projeta crescimento anual de 1,2% no volume de peças vendidas, mas queda de 2,7% especificamente nos meses da Copa.

Relatórios do mercado financeiro, como o do Santander Brasil, apontam que a competição tende a beneficiar empresas ligadas ao varejo esportivo, supermercados, bebidas e eletrônicos, enquanto varejistas de moda dependentes de lojas físicas podem sofrer. O banco citou que grupos como o Grupo SBF, dono da Centauro, podem captar boa parte da demanda adicional, enquanto redes como Lojas Renner, C&A Brasil e Guararapes estariam mais expostas ao risco de queda de fluxo.

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O impacto é agravado pela coincidência do torneio com a janela de início do inverno, época em que o varejo de vestuário costuma trabalhar com tíquetes mais altos. “O varejo de moda quer que o inverno seja no outono”, disse Prado, destacando que o atraso do frio prejudica a venda de coleções mais pesadas e caras e que datas importantes, como Dia dos Namorados, competirão com a programação dos jogos.

E-commerce mais resiliente

O comércio eletrônico ameniza parte dos efeitos negativos: cerca de 10% das vendas de roupas no Brasil ocorrem online, e no segmento de calçados essa participação chega a 15%. A pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra um consumidor híbrido: 89% pretendem comprar em lojas físicas, sobretudo supermercados e comércios de bairro, e 67% também planejam compras pela internet, com destaque para aplicativos de entrega e lojas online.

O IEMI projetou um avanço moderado para a temporada de inverno de 2026: crescimento de 0,65% em volume de peças vendidas entre maio e agosto, com faturamento estimado em R$ 63,34 bilhões, aumento de 4,2%.

O cenário apresentado combina aumento localizado nas categorias conectadas ao futebol e pressão sobre o varejo de moda que depende de circulação física, especialmente durante os meses do Mundial.

Com informações de Infomoney