Investidores acompanham com entusiasmo a forte valorização das ações de tecnologia e de inteligência artificial, mas levantam alertas de que a alta dos rendimentos dos títulos pode interromper esse movimento, segundo levantamento da Bloomberg com gestores globais.

A pesquisa consultou 32 profissionais de investimento nos Estados Unidos, Ásia e Europa, incluindo representantes do Wells Fargo Investment Institute, Amundi SA e BMO Global Asset Management. O otimismo é alto: 80% dos entrevistados esperam que ações superem outras classes de ativos, como commodities e títulos, nos próximos três a seis meses.

Metade dos gestores indicou preferência por papéis de megacapitalização ligados à tecnologia e à IA, que foram motores da sequência de sete semanas de alta do S&P 500. Raphael Thuin, chefe de estratégias de mercado de capitais da Tikehau em Paris, afirmou que continuam a ver oportunidades em “alguns dos hiperescaladores, que lideraram a implementação da IA ​​e agora começam a gerar retornos tangíveis sobre seus investimentos”.

Índices fortemente atrelados à tecnologia, como o Nasdaq 100 e o Philadelphia Semiconductor Index (SOX), registraram recordes repetidos na recuperação após as quedas associadas à guerra com o Irã. O retorno da tese de investimento em IA e o avanço dos lucros sustentaram o movimento, reduzindo as preocupações com gastos corporativos excessivos.

Entretanto, análises mais detalhadas mostram concentração e sinais de sobrecompra. Quatro ações explicam mais da metade dos ganhos do S&P 500 no ano. O SOX vem sendo negociado acima de 25 vezes o lucro projetado, bem acima da média de 19 observada na última década, situação que torna o mercado mais vulnerável.

A maioria dos gestores apontou que um rendimento sustentado do título do Tesouro americano de 30 anos acima de 5% — patamar em que já está sendo negociado — poderia interromper a alta. Alexandre Drabowicz, diretor de investimentos da Indosuez Wealth Management, descreveu esse nível como uma “zona de perigo” para as ações.

O aumento dos rendimentos é pressionado pelo impasse no Estreito de Ormuz, que eleva o risco de alta nos preços do petróleo, potencialmente ampliando a inflação e prejudicando a atividade econômica. Na sexta-feira, queda global em títulos do governo levou os rendimentos de longo prazo dos Treasuries a se aproximarem das máximas de 2023.

Kevin Thozet, do comitê de investimentos da Carmignac, observou que as taxas de longo prazo estão “na encruzilhada entre o custo de capital para investimentos em IA e o crédito privado”, com efeitos sobre o financiamento do déficit público e sobre a riqueza do consumidor.

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Muitos dos 32 gestores também citaram estagflação e a postura agressiva de bancos centrais como riscos que o mercado talvez não esteja precificando. Benoît Peloille, diretor de investimentos da Natixis Wealth Management, alertou para a possibilidade de um “choque de realidade” caso os rendimentos continuem subindo.

O receio mais citado como subestimado foi o excesso de otimismo quanto ao crescimento dos lucros corporativos. Nos EUA, o lucro por ação das empresas do S&P 500 cresceu mais de 27% no primeiro trimestre na comparação anual, mais do que o dobro do estimado pelos analistas e a maior taxa desde 2004, excluindo recuperações após grandes crises. Na Europa, os resultados também superaram expectativas, com avanço anual de 7,5%.

Sameer Samana, chefe de ações globais e ativos reais do Wells Fargo Investment Institute, disse que uma queda drástica nos lucros faria muitos investidores venderem ações, já que esse desempenho é a base de suas teses de investimento. Apesar de uma pausa na sexta-feira, o S&P 500 e o Nasdaq 100 alcançaram novas máximas históricas durante a semana, mantendo a confiança dos otimistas.

Sadiq Adatia, diretor de investimentos do BMO, resumiu a preferência de sua instituição: “Ações o dia todo”.

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Com informações de Infomoney