Quem, o que e como: drones e treinamento militar
A Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança detectou aquisição de drones originalmente destinados à agricultura e ao transporte de carga por integrantes do Complexo do Alemão. Os aparelhos suportam até 80 quilos — equivalente a cerca de 20 fuzis FAL ou AR-15 — têm autonomia de até 12 quilômetros e custo superior a R$ 200 mil por unidade. Imagens aéreas da Polícia Militar registraram um treinamento com um drone de aproximadamente três metros, sob supervisão de ao menos dez pessoas antes da decolagem.
Segundo a inteligência, o treinamento teria sido ministrado por um brasileiro que retornou da guerra na Ucrânia após atuar por pelo menos um ano como voluntário, o qual teria repassado técnicas militares e até doado uma placa balística a Edgar Alves de Andrade, o Doca. A preocupação das autoridades é que os drones permitam deslocamento de armas e drogas sem depender de rotas terrestres vulneráveis à ação policial.
Fazenda de mineração de criptomoedas
Na Operação Contenção, realizada nesta sexta-feira no Complexo do Lins, policiais civis localizaram uma estrutura clandestina de mineração de criptomoedas nos fundos de um mercado. O local abrigava dezenas de computadores que validavam transações de bitcoin e outras moedas digitais, todos conectados a uma rede improvisada de energia para reduzir custos diante do alto consumo elétrico característico da atividade.
A ofensiva tinha como alvo membros do CV sob investigação por tráfico, roubos de veículos, assaltos a pedestres, ataques a bancos e vigilância armada das entradas da comunidade. As autoridades informaram que o grupo monitorava deslocamentos de viaturas, blindados e aeronaves em tempo real e usava canais restritos para coordenar operações.
Central de desbloqueio de celulares
Em março do ano passado, a polícia encontrou no Morro do Fallet-Fogueteiro, em Santa Teresa, uma central clandestina de desbloqueio de celulares vinculada ao CV. No endereço foram apreendidos 200 aparelhos roubados ou furtados. A célula funcionava em um cômodo oculto atrás de um bar e alterava IMEIs para revenda dos telefones.
Foram apreendidos softwares e equipamentos capazes de burlar bloqueios, inclusive de iPhones. Investigações apontam envio de links falsos simulando comunicações da Apple para obter acesso às contas e o uso de programas automatizados que testavam sequências de senhas até destravar os aparelhos. Em vários casos, vítimas eram coagidas a revelar senhas ou remover proteções no momento do roubo.
Infiltração política e denúncias
A Procuradoria-Geral da República apresentou denúncia ao Supremo Tribunal Federal contra o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos (TH Joias) e o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, acusando-os de obstrução a investigações do CV por meio do repasse de informações sigilosas sobre operações. A denúncia cita a Operação Zargun, deflagrada pela Polícia Federal em setembro do ano passado, quando TH Joias teria tido conhecimento prévio da ação e removido equipamentos de seu gabinete antes da execução dos mandados.
Em fevereiro, a Polícia Federal indiciou os investigados. As apurações atribuem a TH Joias o uso do mandato parlamentar para favorecer interesses do crime organizado, intermediar negociações de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão. As defesas negam irregularidades.
Imagem: Divulgação
Expansão para áreas urbanas e domínio da internet
Moradores relataram ao GLOBO que, na virada para 2026, o CV consolidou presença em área de cerca de 55 mil metros quadrados em Jacarepaguá, entre a Estrada Santa Maura e a Rua Abadiana, região antes dominada por milícia. Testemunhas disseram que homens armados percorreram ruas disparando para o alto e anunciando a chegada, impondo cobranças, expulsando trabalhadores e fechando estabelecimentos.
Outra frente econômica é a exploração clandestina de serviços de internet. Levantamento do GLOBO indica que facções e milícias atuam em pelo menos 37 dos 92 municípios do estado, cobrindo cerca de 40% do território fluminense. Nos primeiros quatro meses deste ano foram registrados ataques — incêndios contra veículos, escritórios e instalações de provedores — em Cachoeiras de Macacu, Japeri, Paracambi e Maricá. Em alguns locais o crime assume a operação diretamente; em outros, cobra taxas de operadoras legais. Na Muzema, Rio das Pedras e Gardênia Azul foram identificadas 18 empresas e a arrecadação mensal estimada dos grupos chega a R$ 3 milhões.
Cúpula protegida e emboscada que matou agentes
Investigações da Delegacia de Homicídios da Capital sobre a emboscada de 28 de outubro de 2025, que resultou na morte de cinco policiais civis e militares, indicam a participação de líderes do CV escondidos na Penha e no Alemão. Entre os indiciados estão Edgar Alves de Andrade (Doca ou Urso), Carlos da Costa Neves (Gadernal) e Pedro Paulo Guedes (Pedro Bala). Doca acumula 317 anotações criminais e 43 mandados de prisão; os três somam 69 mandados no total.
Segundo a apuração, os criminosos montaram uma emboscada na região da Vacaria, na Vila Cruzeiro, com o objetivo de atingir o maior número possível de agentes envolvidos na operação. Sete suspeitos que trocaram tiros com os policiais foram presos em uma estrutura de concreto, descrita como um bunker em área de mata.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6