O papa Leão XIV e representantes da Anthropic promoveram um encontro no Vaticano para debater limites éticos da inteligência artificial (IA), numa articulação inédita entre a Igreja e um executivo do setor tecnológico. A discussão acompanhou a publicação da primeira encíclica do pontífice, intitulada Magnifica Humanitas, na qual o papa criticou o avanço da IA e a concentração de poder em grandes empresas de tecnologia.
Quem, onde e por quê
O evento, realizado no Vaticano, teve como único representante de uma empresa de tecnologia Christopher Olah, cofundador da Anthropic, que reforçou a ideia de que o desenvolvimento da IA não deve ficar restrito apenas às corporações. O pontífice pediu que a tecnologia seja sujeita às “mais rigorosas restrições éticas”, com atenção especial às aplicações militares.
Principais pontos levantados por Anthropic
Olah explicou que laboratórios de IA atuam sob incentivos e limitações que podem se chocar com o interesse público e que mesmo pesquisadores bem-intencionados são influenciados por pressões comerciais e geopolíticas. Segundo ele, essa dinâmica torna necessária a realização de auditorias externas e maior supervisão por parte de governos, líderes religiosos e organizações da sociedade civil.
O cofundador, que se descreveu como dedicado a questões de segurança em IA e afirmou ter debatido dilemas éticos com integrantes de mais de 15 religiões, alertou para a possibilidade real de substituição massiva de empregos pela tecnologia. Olah disse que, se ocorrer deslocamento em larga escala, será um imperativo moral oferecer apoio aos afetados.
Ele também expressou preocupação com o estágio atual dos grandes modelos de linguagem (LLMs), citando o ritmo acelerado de avanço e os riscos de resultados indesejáveis, e afirmou que não cabe apenas aos especialistas técnicos decidir sobre o tema.
Repercussões políticas e históricas
O papa agradeceu a Olah pela colaboração para “encontrar o caminho para a humanidade neste tempo de inteligência artificial”, sinalizando uma aproximação inédita entre a Igreja e um empresário do setor. A histórica convergência entre política, negócios e religião foi destacada pela historiadora Margaret O’Mara, da Universidade de Washington, que lembrou a encíclica de 1891, Rerum Novarum, publicada por Leão XIII contra os excessos da Revolução Industrial.
Imagem: Ap
Analistas apontam que essa aproximação em Roma amplia o isolamento político da Anthropic em Washington. Nos Estados Unidos, críticos próximos à administração Trump, como o investidor Jason Calacanis, acusam o CEO da startup, Dario Amodei, de provocar temor público sem necessidade. O governo norte-americano vem estimulando avanço acelerado da tecnologia para competir com a China, o que colide com as restrições contratuais impostas pela Anthropic ao Pentágono para impedir que modelos — como o recém-lançado Mythos — sejam usados em sistemas de vigilância doméstica ou em armas autônomas.
Esta reportagem também utilizou informações da Reuters.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6