SpaceX revela ter US$ 1,45 bilhão em Bitcoin no pedido de IPO
Documento S‑1 mostra 18.712 BTC no caixa da companhia; compra custou US$ 661 milhões e deixou ganho não realizado de quase US$ 800 milhões
A abertura de capital da SpaceX trouxe um detalhe que logo virou manchete: a empresa declarou em arquivo oficial a posse de 18.712 Bitcoins. Com a criptomoeda sendo negociada na casa dos US$ 77 mil, esse lote aparece no balanço com valor aproximado de US$ 1,45 bilhão.
O registro no formulário S‑1, entregue às autoridades financeiras dos Estados Unidos, também detalha quanto a empresa desembolsou originalmente para formar essa reserva: cerca de US$ 661 milhões. Na prática, isso significa que o custo médio por unidade ficou perto de US$ 35 mil — um patamar muito distante da cotação atual, gerando um ganho contábil relevante, ainda que não realizado.
Relatos anteriores indicam que, em agosto de 2023, a companhia já havia negociado parte de suas participações em criptoativos. Mesmo assim, o montante restante ainda chama atenção pelo tamanho e pelo timing da compra, feita quando o mercado estava em um patamar bem inferior ao atual.
O que isso diz sobre Musk, empresas e o futuro das tesourarias corporativas
Elon Musk tem histórico público de apoio a moedas digitais. Além da ligação com a Dogecoin — que já virou alvo de piadas e promessas icônicas, como levar um token “literalmente” à lua — suas empresas também aparecem em balanços com posições relevantes em criptomoedas.
A Tesla, por exemplo, informou ter pouco mais de 11.000 Bitcoins, um volume que se traduz em uma reserva avaliada em quase US$ 900 milhões. Em momentos de alta da moeda, esse tipo de ativo chegou a impulsionar resultados contábeis expressivos nas demonstrações da montadora.
Em escala muito maior, existem instituições que dominam o universo de BTC: uma delas reúne mais de 843.000 unidades, cifra que supera a casa dos US$ 60 bilhões — referência para entender que a reserva da SpaceX, apesar de grande, permanece modesta quando comparada aos maiores detentores institucionais.
Imagem: Bitcoin – iStock
No pedido de IPO, a empresa não se limitou a cifras. O documento trouxe também suas ambições tradicionais: planos de colonização de Marte seguem no centro da narrativa, com metas arrojadas para o longo prazo. Essa mistura de visão espacial e apostas financeiras em criptoativos mostra como a estratégia de tesouraria e a imagem pública caminham juntas na comunicação da empresa.
Para o mercado, a divulgação altera percepções. Revelar ativos digitais em um S‑1 funciona como sinal de transparência — e, ao mesmo tempo, expõe a empresa à volatilidade típica das criptomoedas. O efeito prático sobre investidores e sobre a própria trajetória da SpaceX só ficará claro com o desenrolar do processo de listagem.
Seja como ativo de tesouraria ou como reflexo das convicções do seu fundador, a presença de bilhões em Bitcoin no balanço da SpaceX dá novo fôlego ao debate sobre o papel das criptomoedas nas finanças corporativas — e mantém a atenção voltada para os próximos capítulos do IPO e para as ambições interplanetárias da empresa.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6