Economia russa pode ter encolhido 8% e acende sinal de alerta entre as elites

Análise sueca desafia números oficiais e revela fissuras que podem reduzir o poder econômico de Moscou

Uma avaliação externa baseada em imagens de satélite aponta que a economia da Rússia não cresceu — encolheu. Enquanto o Kremlin divulga ganho expressivo no PIB, cálculos alternativos mostram retração entre 2020 e 2024, gerando dúvida sobre a capacidade de financiamento do Estado e do esforço militar. A mensagem foi clara: por trás dos números oficiais há sinais de fragilidade que circulam agora entre diplomatas e investidores.

Indicadores contraditórios, petróleo como tábua de salvação e custo político

O contraste vai além do PIB. Autoridades suecas e organismos independentes identificam discrepâncias entre as taxas oficiais de inflação e medidas que explicam por que o banco central precisou apertar os juros de forma drástica. A necessidade de juros reais muito altos sugere pressão no poder de compra e nas contas públicas.

O petróleo aparece como fio condutor da estratégia financeira de Moscou. Para aliviar as finanças, o preço médio do Urals precisaria se manter muito acima dos níveis atuais; mesmo a alta recente ainda está abaixo do patamar estimado como sustentável. Movimentos geopolíticos — um acordo entre Estados Unidos e Irã ou ataques a terminais de exportação — podem inverter esse quadro em semanas, tornando a receita do Kremlin volátil.

Os efeitos já são visíveis internamente. Reservas do fundo soberano foram utilizadas em larga escala para sustentar gastos ligados ao conflito. Empresas passam a registrar inadimplência em maior número. O déficit de mão de obra é projetado em milhões até o fim da década, ao passo que a mobilização contínua e o declínio demográfico reduzem a margem de manobra do mercado de trabalho.

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Politicamente, a temperatura subiu: indicadores de aprovação e pesquisas internas mostram queda no apoio ao Executivo, enquanto figuras do círculo próximo demonstram inquietação diante de apreensões de ativos e da erosão do bem-estar. Ataques com drones que atingiram infraestrutura e até zonas urbanas ampliam o custo humano e econômico, reforçando a percepção de que o país enfrenta uma combinação de choques financeiros, logísticos e sociais.

O retrato que emerge é de uma potência com recursos ainda relevantes, mas menos resiliente do que a narrativa oficial sugere. Para elites, investidores e rivais, a pergunta que fica é simples — a capacidade russa de sustentar um elevado esforço externo e a estabilidade interna vai depender não só de mercados de commodities, mas também de decisões políticas e de um cenário internacional que pode mudar rápido.