111 anos da lata laranja: por que a pomada Minancora ainda domina prateleiras
De uma maleta de fórmulas a uma fábrica em Joinville — a história de um produto que atravessou gerações
A presença da lata laranja no armário de remédios é familiar para muitos brasileiros. O que pouca gente imagina é que aquela embalagem compacta carrega uma trajetória de comércio artesanal, percursos por rios e escolhas familiares que mantiveram a marca independente por mais de um século.
Raiz portuguesa, circulação brasileira
Em 1915, um farmacêutico português desembarcou no país com fórmulas na memória e uma pequena mala. A princípio atuou em Manaus, depois migrou para o Sul e começou a produzir pomadas à mão: trabalho durante o dia, preparo noturno dos frascos e embalagens feitas em casa.
O resultado foi uma rede de distribuição improvisada, nascida do próprio empreendedorismo do fundador. Antes da logística moderna, as latinhas chegaram a ser levadas pessoalmente por rotas fluviais — um boca a boca que criou confiança e alcance nacional.
Uma fábrica, um visual e a manutenção da tradição
Hoje a produção concentra-se em uma única planta, em Pirabeiraba, Joinville. A cor laranja da embalagem e o formato compacto foram decisões pensadas para se destacar nas prateleiras — um sinal de identidade que atravessou décadas.
Na década de 1990, a operação passou por profissionalização: áreas como marketing e vendas foram formalizadas, sem abrir mão do visual histórico. A família manteve controle e tomou decisões para preservar a marca enquanto se adaptava às novas demandas do mercado.
Reconhecimento de massa: da TV às redes sociais
Minancora virou referência também na cultura popular. Apareceu em programas de auditório, teve mascote e campanhas que marcaram audiências — elementos que reforçaram o vínculo afetivo com gerações mais velhas.
Nos anos recentes, a estratégia migró para plataformas de alcance jovem. A marca passou a trabalhar com microinfluenciadores e adaptar o discurso para o TikTok e o Instagram, onde reúne uma comunidade significativa, sem abandonar o varejo tradicional.
Distribuição ampla e presença no varejo
A empresa afirma cobertura quase total do mercado farmacêutico, vendendo tanto para grandes redes quanto via distribuidores regionais. Essa presença consolidada mantém o produto acessível nas redes de drogarias por todo o país.
Imagem: Divulgação
Enquanto muitos players apostaram em expansão plena, a marca optou por um equilíbrio: distribuição ampla, produção centralizada e controle familiar. A combinação parece funcionar há 111 anos.
Novos passos: inovação contida e planejamento
Mesmo fiel a suas raízes, a companhia não deixou de investir. Há lançamentos previstos, incluindo produtos com novas formulações, e iniciativas para renovar a conexão com públicos mais jovens.
A gestão também trabalha a sucessão: a continuidade foi planejada e documentada, numa tentativa de garantir que a identidade da marca sobreviva à passagem de gerações.
Por que resistir à venda?
Ao longo do tempo, ofertas de compra surgiram. Ainda assim, a decisão por manter a independência tem relação direta com o legado familiar, o controle sobre a produção e a preservação do posicionamento no mercado. Para a família proprietária, a marca é mais que um ativo — é memória, reputação e estratégia combinadas.
Fechamento
Em plena era digital, a lata laranja segue atraindo atenção: não apenas por nostalgia, mas por uma combinação rara de identidade, distribuição e adaptação. São 111 anos em que tradição e pequenas inovações mantêm um produto cotidiano relevante — e capaz de se reinventar sem perder a essência.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6