Quem: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice Geraldo Alckmin.

O quê: O PT nacional confirmou neste domingo (2) a candidatura de Lula à reeleição, mantendo Alckmin como companheiro de chapa, durante convenção realizada em São Paulo.

Quando e onde: A oficialização ocorreu na convenção nacional do partido em São Paulo, neste domingo, 2 de agosto.

Por que e como: Aos 80 anos, Lula parte para a disputa por um quarto mandato presidencial, buscando também o que seria o sexto governo do PT. No pronunciamento previsto, o presidente deve enfatizar temas como soberania, inclusão social, defesa da democracia e destacar conquistas na área econômica.

A coligação de apoio à reeleição reúne sete siglas do campo progressista: PT, PV, PCdoB, PSB, Psol, Rede e PDT. Apesar de não ter ampliado uma frente mais ampla com a centro‑direita, a campanha de Lula terá cerca de 20% a mais de tempo de televisão e de recursos do fundo eleitoral em relação ao principal adversário identificado nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Aliados do presidente afirmam que Lula também conta com respaldo de lideranças estaduais de partidos como União Brasil, PP, MDB, Republicanos e PSD. Segundo interlocutores, a repetição da chapa com Alckmin — costurada inicialmente em 2022 para aproximar o eleitorado empresarial — pode não representar, na avaliação de aliados, uma expansão genuína do diálogo com o setor produtivo.

O desgaste da gestão e a polarização com o bolsonarismo marcam o cenário eleitoral. Pesquisas Datafolha divulgadas em 24 de julho indicam Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, o levantamento aponta 48% para Lula e 43% para Flávio, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Nos últimos meses, a campanha de Lula tem tentado capitalizar equívocos atribuídos ao adversário, como disputas internas do PL e a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro solicita recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, alegadamente para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. A estratégia da equipe petista é transformar em intenção de voto medidas anunciadas perto do período eleitoral, como o novo programa Desenrola, para renegociação de dívidas, sem comprometer o plano fiscal futuro — portanto sem promessas que possam ser classificadas como “bombas fiscais”.

Lula oficializa chapa com Alckmin em convenção do PT e lança campanha ao 4º mandato

Imagem: Divulgação

Além do presidente, devem discursar na convenção Geraldo Alckmin, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ex-ministro Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo. A escolha de São Paulo como sede do evento tem o objetivo de fortalecer a imagem de Lula no maior colégio eleitoral do país e impulsionar Haddad, que enfrenta dificuldades em relação ao candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O PT também marcou para 16 de agosto, em São Bernardo do Campo, no Estádio de Vila Euclides, o primeiro dia oficial da campanha. O local tem simbolismo histórico para Lula, por sediar assembleias de metalúrgicos no fim da década de 1970. A convenção reunirá lideranças da base aliada, ao menos dez candidatos a governos estaduais e postulantes ao Senado, entre eles as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que concorrem ao Senado por São Paulo.

A coordenação da campanha inclui nomes históricos da sigla e antigos aliados do ex-presidente, como Gilberto Carvalho, Paulo Okamotto, José Filippi Junior, Aloizio Mercadante e Mônica Valente. O programa de governo ficará sob a responsabilidade do ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli; o marketing será conduzido por Raul Rabelo e a coordenação jurídica por Ângelo Ferraro. No núcleo duro da campanha também estão Edinho Silva, o ministro Guilherme Boulos (Secretaria‑Geral da Presidência) e a vereadora Luna Zarattini (PT).

Entre os desafios apontados pelas pesquisas estão a alta taxa de rejeição de Lula — 46% segundo Datafolha, ante 48% de Flávio — e a necessidade de melhorar a avaliação positiva do governo (32% ótimo/bom; 38% ruim/péssimo; 29% regular). A aprovação geral do governo aparece praticamente empatada com a desaprovação, em 49% a 48%, conforme o mesmo levantamento.

Um dos elementos da campanha será a utilização de jingles, com um dos principais inspirados no “Rap do Silva”, que busca relacionar a trajetória do presidente à de um trabalhador comum. A convenção serviu para selar a candidatura e dar largada à mobilização eleitoral, sem a apresentação de medidas eleitorais de grande impacto fiscal no evento.

Com informações de Valor.globo