Raízen entrega plano final para reestruturar R$ 65 bilhões e corre contra o relógio

Credores locais votam nesta quarta; proposta inclui comitê de cinco membros e novo papel para o diretor financeiro

A Raízen apresentou aos credores a sua proposta definitiva para reorganizar uma dívida de R$ 65 bilhões. Na mira, há uma votação marcada para esta quarta-feira com detentores de títulos locais, entre eles certificados do agronegócio. Conversas paralelas com bancos e com credores estrangeiros devem se intensificar nos dias seguintes. A companhia tem 8 de junho como prazo crítico para fechar um acordo — e calcula obter apoio bem acima da maioria simples, mirando uma adesão superior a 70%. A empresa preferiu não comentar os termos apresentados aos investidores.

Detalhes do plano, causas e o que vem a seguir

O esboço prevê a criação de um comitê de credores composto por cinco representantes e a ampliação das atribuições do atual diretor financeiro, que assumiria também a coordenação da reestruturação. Mantém-se o conselho de administração intacto até o primeiro trimestre do ano que vem, com a permanência de executivos condicionada a ações pontuais — incluindo uma possível injeção de capital de R$ 500 milhões ligada ao fundador Rubens Ometto. Historicamente, a empresa contraiu dívidas pesadas para financiar expansão e sofreu com apostas que não se concretizaram em etanol e combustíveis de aviação. A escalada dos juros domésticos agravou o desgaste do balanço e tornou urgente uma solução extrajudicial. Se o acordo avançar com o nível de adesão desejado, a Raízen busca evitar litígios e ganhar fôlego para reorganizar operações. O desfecho das negociações nos próximos dias deve definir não só o perfil de governança, mas também a capacidade da empresa de retomar investimentos e cumprir compromissos financeiros.

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