NASA dá adeus à MAVEN, sonda que decifrou como Marte perdeu sua atmosfera
Após quase 12 anos em órbita, a agência anuncia o fim das operações depois de perder contato com a espaçonave; legado científico promete orientar futuras missões
Nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026, a NASA confirmou o encerramento das operações da sonda MAVEN. A decisão vem depois de meses de tentativas frustradas para restabelecer comunicação com a espaçonave, que entrou em crise ao atravessar a sombra de Marte em dezembro.
Perda de contato e a sequência de falhas
O problema começou quando a MAVEN reapareceu do outro lado do planeta com comportamento errático. Sistemas de bordo passaram para modo de emergência e a sonda entrou em rotação, comprometendo a geração de energia pelos painéis solares.
Engenheiros da agência tentaram diversas manobras de recuperação e sessões de comando remoto. Nenhuma delas trouxe sinais confiáveis. Com os recursos e janelas de comunicação já esgotados, a agência concluiu que a nave não voltará a operar.
O que a MAVEN revelou sobre a atmosfera marciana
Lançada em 2013 e ativa por quase 12 anos, a missão superou em muito a expectativa inicial. Seu foco: entender por que Marte, que já teve água abundante, tornou-se um deserto frio e seco.
Instrumentos da MAVEN mapearam como partículas carregadas do Sol arrancam moléculas da atmosfera marciana. Os dados mostraram que a perda de ar varia com a atividade solar e pode disparar durante tempestades solares — em alguns episódios, a taxa de escape aumentou dezenas de vezes.
Essas medições foram cruciais para montar um panorama sobre a evolução climática do planeta e sobre o ritmo de erosão atmosférica ao longo de bilhões de anos.
Auroras, íons metálicos e outros achados inesperados
A sonda também captou auroras espalhadas por áreas muito além dos polos, fenômeno bem diferente do observado na Terra. Registrou emissões ultravioleta durante o dia e detectou íons metálicos na ionosfera — sinais nunca antes vistos em outro planeta.
Em missões conjuntas temporárias, a MAVEN contribuiu até para observações de cometas próximos ao sistema solar e forneceu pistas sobre possíveis descargas elétricas na noite marciana.
Imagem: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA
Mais que ciência: uma ponte de comunicação em Marte
Além da pesquisa, a MAVEN teve papel operacional. Atuou como relé de comunicações, transmitindo dados de pousadores e rovers para a Terra — função que manteve a conectividade entre a superfície e as equipes de solo.
Com sua perda, permanecem em órbita somente duas sondas da NASA: a Mars Odyssey e a Mars Reconnaissance Orbiter, ambas operando muito além do prazo planejado.
Legado e próximos passos
Embora a nave esteja inoperante, o acervo de informações coletadas continuará a render estudos por anos. Pesquisadores vão explorar esses arquivos para refinar modelos de evolução atmosférica e projetar mitigação de riscos para missões humanas.
A investigação sobre a causa exata da falha segue em curso. Já é certo, porém, que as lições da MAVEN terão impacto direto no desenho de futuras sondas e nas estratégias para proteger astronautas diante do vento solar e da radiação.
O fim da MAVEN marca uma página importante na história da exploração marciana — mas também abre caminho para novas perguntas e para um inventário científico que continuará a orientar a busca por respostas sobre o passado e o futuro de Marte.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6